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Quebradêra F.C.

insônia, depressão, música, literatura, crônicas de alcoolismo e declarações de amor



Quarta-feira, Novembro 29, 2006

Sashimi overdrive

Cada vez que ela entra no boteco parece que o meu mundo vai cair. É dose para mais uma cerveja. Esqueço que não estou sozinho neste antro e parece que tudo pára. É um travelling longo e de trajeto acidentado. Algo meio que cinema novo.

Travelling porra nenhuma, é câmera na mão, mesmo. Eu a chamo de dragão da maldade. Vê bem, que ela não é um dragão. Uma vida de literatura e erudição, e não sei o feminino de dragão. Foda-se. Ela tem aquela coisa kill bill. Uma coisa que não dá pra explicar. Desajeitada, a um tempo. Outro, ninja, rápida, aparece e some. Corpo magro, mas de curvas acertadas. Feito ninja cai bem do meu lado no único espaço vago no balcão.

Certo. Largou a primeira estrelinha fincada no peito, Bruce Lee. Onde é? Qual vai ser? Sempre tem uma porcaria de outro lugar pra ir. E eu jurei que ia só ficar ali, de trago, tranqüilo. Vamos? Vou sim. Não sou de música eletrônica, mas vamos. Vou sim.

Será que dava pra abaixar o volume, deus do céu? Aqui não dá pra conversar. Cheio, muito cheio. Mas eu feito um buda estabeleço um silêncio mental, interno, e apenas contemplo as curvas do dragão, dançando. Juro que tento me mexer, mas não levo muito jeito. Eu, a velha vergonha dos forrós e bailinhos. Manco projeto de Travolta, contemplo. Agüento tudo com mais uma carreira esticada no banheiro das mulheres, é melhor e aqui não tem divisão.

Meu, será que dá pra você pagar o cachorro quente? Eu moro longe e só tenho pro ônibus. Pode, neguinho, pode? Tá, eu pago. Sem problemas. Sim, ela me chama de neguinho.

No vazio do apartamento art déco anos quarenta, sozinho, corpo doído, dou com o teto de madeira alto pra caralho. Um gosto de mostarda na boca. Disco batendo agulha no aparelho. Apalpo o vazio do lado dela na cama, foi-se meu dragão da maldade. Dói que apanhei de um bando de Charles Bronsons. Ela bate, muito. Eu também. Na cara, neguinho, na cara, vai.

Dúvida: deixar ou não o estado nirvânico pra trocar o disco do outro lado do quarto, apagar o maldito incenso que ela acendeu, e quem sabe um marlboro em cima da mesa. Coca-cola na geladeira? Dúvida, dúvidas.

Olha, que o enquadramento da manhã azul escura meio Win Wenders na janela deu bom de assistir.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 7:22 PM Comentários:



Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Frase do Marião, lá do blog dele que serve pra ilustrar tudo isso aí. Saudades desde já:

"(...) estamos fora da corrida de ratos. Eu sempre soube disso. Isto é, não sou melhor que ninguém. Só faço o meu trabalho. Não quero participar de nenhum ranking. Deixa isso pra Revista "Veja" e para os lutadores de boxe. Por isso não encham o meu saco me comparando com ninguém. Não digam que o meu trabalho é melhor ou pior do que o trampo do meu amigo, mesmo que tenham as melhores intenções. Não me interessa saber. Isso não me envaidece. Não tô competindo com ninguém, e muito menos com amigos meus. Só tô fazendo o meu e torcendo pelos meus amigos. É assim que eu quero levar a minha vida, pra terminar como terminei nessa manhã, com a alma intocada, vendo o sol nascer de uma mesa amarela da Skol, em boa companhia. E é isso que basta. O resto é encrenquinha, falta de elegância, um jeito mesquinho de ver as coisas, uma competiçãozinha babaca de gente medíocre e insegura que precisa colocar alguém em algum pedestal. Por mim, o pedestal vai ficar vazio. Aqui embaixo, que as mesas amarelas se espalhem pela calçada e ganhem esse mundo triste. A minha visão é horizontal, mas me parece bastante privilegiada. Tenham um bom dia."

(Mário Bortolotto)

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:40 PM Comentários:



Terça-feira, Novembro 21, 2006

Semanas agitadas

Cemitério de Automóveis em CWB (isso quer dizer: o Marião, o Gabriel, o Régis e o genial Marcelo Montenegro, tudo sangue muito bom). Orgias gastronômicas todas as noites.

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Festa na GGG sexta passada, onde demos entrevista para o programa do Pedro Luis (da Parede) no Canal Brasil, e fizemos um barulho danado. Muito bom agitar com o Maxixe Machine. Muito bom ir na Grande Garagem que Grava (GGG).

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Já no sábado, assistir Homens, Santos e Desertores foi algo sem noção. Não fosse já um privilégio ver o Mário Bortolotto no palco, com o incrível Gabriel Pinheiro, ainda me vem com um texto desse. Puta que pariu. É foda. Quem perdeu, pena. Só isso. Pena. Agora, Kerouac, o monólogo, texto do Maurício Arruda Mendonça, que deve ser algo muito foda também.

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Hoje, terça, tem lançamento do Roxão, com o meu irmão Marco, o Tiago Recchia, o Solda, o Paixão, o Dante e o Bennet. O Roxão é um jornal de cartunistas, formato banner gigante, que fica na parede do Roxinho, velho bar nosso dos santos dias de faculdade.

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E quem for no Roxinho ver o Roxão, corra pro Wonka depois, que tem Porão Loquax, com a gente. Isso quer dizer: o Rubens K, Carlos Zubek, Ivan Santos, Régis Santos (do Cemitério, que ficou pela cidade enquanto os caras foram dar um pulo em SP), Jota Eme, eu e mais músicos e loucos que estiverem por lá.

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Piadinha pronta e besta:
Estou aprendendo a dirigir, mas tô faltando as aulas porque apareceu um cemitério de automóveis em meu caminho. Riam, riam. O Detran pode esperar.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 6:29 PM Comentários:



Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Vai ser tesão:

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:11 PM Comentários:




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