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Quebradêra F.C.

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Quarta-feira, Abril 26, 2006

Feriados e mais feriados

Este ano vai passar mais rápido. Está passando. Sem tempo pra nada. Sem dinheiro pra quase tudo. E vai.

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Não sei. Não estou engolindo o Givanildo. Mas as coisas no Atlético têm que melhorar. Senão, vamos acompanhar o rival lá embaixo ano que vem. Mas é certo que ele (o Givanildo) não entendeu o espírito da coisa ainda. Ou já, visto que se auto declarou em vias de demissão. Consciente.

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Gruvox ensaiando show novo. Com tanto feriado, e tão pouco dinheiro, quase ninguém viaja mesmo. Então, estúdio. A coisa vai. Renato Larini está fazendo nosso clipe, em Londres. Quero ver como vai ficar. Conhecendo o Renato, vai ficar ótimo. Certeza.

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Domingo agora, tem entrevista com Gruvox no programa Pedra Lascada (Lúmen FM, 99,5 mhz), às 19 horas. Vamos gravar amanhã (quinta). Uma boa chance de conhecer melhor a banda. Ouçam.

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Quinta à noite, dia 4, embarco para o Rio, para participar do novo filme do Jota Eme (mais um!), O Homem que Derreteu a Taça. Farei o guarda noturno da CBF, à época (1983). Externas no Maracanã, na Lapa e pelo centro histórico. Excelente. Volto segunda, dia 8.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:11 PM Comentários:



Sexta-feira, Abril 21, 2006



De jaboticabas, da perda da inocência e de ser gente

Era 1979 ou 1980, eu era já um pré-adolescente de 12 anos. Estava assistindo a tevê com minha mãe, e passava algo sobre o novo técnico da seleção. Um senhor de modos interioranos bastante educado, dava entrevista e mostrava seus hábitos, sua casa, onde vivia.

Estávamos em silêncio, eu e minha mãe. Eu sempre atencioso com as coisas do futebol, na verdade preocupado, pois havia sido dispensado o Cláudio Coutinho. Um dirigente militar havia declarado algo como que "havíamos trocado um técnico que falava sete idiomas por um que falava mineiro", de forma bastante prejorativa.

Eu achei divertido mas já conhecia o time do Palmeiras, de 1979, que não ganhou nada, mas encantou, e com isso levou aquele senhor ao cargo mais importante do país depois da presidência da república.

Na tevê, em uma seqüência, o senhor em questão leva a reportagem ao fundo do seu quintal e mostra um pé de jaboticaba. Ele colhe algumas e começa a comer, com a esposa, e diz que aquilo é a coisa que ele mais gosta na vida, ficar sob o pé de jaboticaba, saboreando a fruta com sua esposa, na sombra.

Minha mãe rompe o silêncio com uma observação que nunca saiu da minha cabeça: "Olha, sabe uma coisa? Eu acho esse cara muito gente. Gostei dele...". Minha mãe acho que nunca havia aberto a boca pra falar de futebol, se não fosse copa do mundo ou do Mazzola, um jogador bonitão da época dela. Tudo bem, ela não estava falando de futebol. E eu nunca havia ouvido aquela expressão: ser gente.

Desde então, sempre que vejo um pé de jaboticaba, eu lembro. No fundo da casa que morávamos, aqui em Curitiba lá na Vista Alegre, também havia um. Pra quem foi moleque, e já enfrentou a luta que é colher frutas, sabe o quanto a jaboticabeira é a representação da alegria, um presente divino, pois as frutas dão no caule, fácil, fácil.

O que veio depois todo mundo sabe. Nosso país estava mudando, ou era eu, ou era tudo, como sempre. Orgulho saudável. Arte, cidadania, solidariedade, consciência, jogo limpo, talento, muito talento.

Como esquecer de cada um daqueles caras, dos toques do doutor Sócrates, da precisão quase milimétrica de uma jogada do Zico, da raça do Cerezo, da elegância sublime do Falcão, do Leandro e do Júnior? Mas principalmente, da hombridade do mestre Telê, o senhor a que me refiro. Podíamos perder ou ganhar, mas sempre jogando bonito, com lealdade. São coisas que parecem ter desaparecido.

E o que dizer da perda da inocência, com aquele timaço da Itália, que ganhou de um Brasil inteiro na bola, é bom que se diga, num jogo inesquecível? Ali eu vi que a vida não seria nada fácil. Ali, eu já tinha 15 anos e a vida não seria um pé de jaboticaba. E Paolo Rossi tomava o lugar do homem do saco, ou do bicho papão.

Eu nunca vi tanta tristeza como naquele dia. Acho que fiquei uma semana sem falar, e olhe que isso não é fácil. Como esquecer a capa do Jornal da Tarde no dia seguinte, sempre revolucionando na estética, apenas com a foto em preto e branco de um menino chorando, com a camisa da seleção, só com data e local: Barcelona, 5 de julho de 1982? Impossível.

Era tempo de mudança, e muita coisa mudou depois, para o bem e para o mal. Hoje, eu até vou aos jogos ver meu time, volta e meia, sempre esperando encontrar aquela alegria perdida. Às vezes acontece. Fica muito mais difícil com Parreiras e Zagallos, deus me livre. Mas a inocência eu perdi aquele dia. Já não creio mais. A gente cresce.

Eu ainda vejo o mestre Telê em algumas coisas. Vejo o mestre na camaradagem e no talento dos meus amigos, num solo do Walmor, num poema do Thadeu ou do Edson, na pancadaria insana do Alberto e do Rodriguinho, que parecem Dudu e Ademir da Guia em formato baixo e bateria. Na generosidade dos que me rodeiam. No prazer de fazer o que se gosta e como deve ser, sem concessões. Tenho sorte quanto a isso. Tenho mesmo gente muito boa do meu lado. Gente.

Quanto ao futebol, é difícil, mas enquanto houver um sorriso e um olhar como o do Ronaldinho Gaúcho, vou lembrar do mestre, e vou acreditar e vou gostar. Afinal, o apelido dele era Fio de Esperança, não era? Acredito na paz de um quintal. Vai ver a felicidade é um pé de jaboticaba. Quem sabe?

Vai com Deus, mestre. Você era muito gente.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 9:17 PM Comentários:




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