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Quebradêra F.C.

insônia, depressão, música, literatura, crônicas de alcoolismo e declarações de amor



Sexta-feira, Julho 29, 2005

Missão cumprida

Hoje minha mãe cumpre seu último dia no magistério da prefeitura desta cidade. Vinte e cinco anos trabalhando pra educar pequenos e mais pequenos, que hoje estão aí. Coisa mais legal que rolou é que a moça que vai substituí-la foi também sua aluna. Deve tá a mó choradeira na escola hoje. Vamos fazer um churras lá na casa dela de noitinha. Se todos os brasileiros fossem como esta mulher, o mundo seria o céu. Missão cumprida. Parabéns, dona Silda!

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:40 PM Comentários:



Segunda-feira, Julho 25, 2005

Quebradêra é isso aí

O show foi muito bom. Pista fechada e muita gente que nunca tinha visto. Legal. E o mais importante, nos divertimos pra caralho. Tocar com o Reles é isso mesmo, sempre um prazer. Incrível, até o Celsão apareceu. Isso realmente é digno de nota.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 11:08 AM Comentários:



Quarta-feira, Julho 20, 2005

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:39 PM Comentários:



Sexta-feira, Julho 15, 2005

Bola pra frente

Não deu pro meu Atlético. Mas estou orgulhoso da rapaziada. Agora é bola pra frente. Mais uma campanha inesquecível. Um dia a gente chega lá. O São Paulo cagou de medo de jogar aqui, mas realmente teve mais time e jogou melhor ontem. Esporte é assim. A diferença é que o Atlético é o time da minha rua, que eu vi crescer. E o São Paulo é o time do bairro mais rico da América Latina. Valeu, galera. Vamos terminar nosso estádio e deixar os outros chorando de dor de cotovelo e torcendo contra, que é só o que lhes resta.

E não esqueçam que uma reunião na famigerada Conmebol esta semana agora deve decidir que o vice campeão de 2005 está garantido na edição 2006 da Libertadores. Ou seja, estaremos lá. Lá vamos nós de novo. Rumo a Tóquio! He he he.

...

Show no Motorrad, sexta, 22. Estaremos vendendo nosso disco novo, que vamos usar como demo este semestre, que tem o nome de Gruvox - AOVIVONAGGG. Comprem: R$10.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 6:20 PM Comentários:



Terça-feira, Julho 12, 2005

Márcio Américo e os Meninos de Kichute

Imagine o seguinte cenário. Enquadramento qual Jim Jarmush. Uma garagem, talvez um quarto. Dois ou três caras lêem gibis ou livros fáceis, cada um em seu canto. Um mais perto de um velho aparelho de som de vinil, vez em quando opera o trambolho. Um outro que chega. É um sábado de tarde. Ninguém se cumprimenta. Máximo um oi indiferente, sem risos ou nada. Pequenos comentários, tipo cadê fulano, onde vai ser daqui a pouco de noite, cadê o goró, tem um aí, coisas amenas. O que chega cata seu gibi e vai ler no canto. Sem sorrisos, sem olho no olho, sem festa, nada.

Você pensa: porra, esses caras se odeiam, nem falam um com o outro direito. São uns bandidos. Nada disso. São irmãos. Não irmãos de sangue. Irmãos, saca? Certo, você está começando a entrar na viagem. Quem conhece este cenário, de pinga com coca-cola, vinil riscado e pilhas de gibis, sabe do que eu estou falando. Ok, segue a viagem.

Volte uns dez ou quinze anos no tempo e você vai ver os protótipos destes seres que descrevi. Eles têm agora em média seus sete ou oito anos de vida. E são donos de uma rua, um campinho de terra e do fundo de diversos quintais, e do futuro. Norte do Paraná, elemento terra. Terra roxa, que aquilo não é vermelho nem fodendo. É pancadaria, quem conhece, sabe. Eles são mafiosos, bons ou maus eu não arriscaria. Heróis sem caráter, talvez.

Êpa, toquei no ponto. Caráter. Se eu fosse descrever o genial Meninos de Kichute, de Márcio Américo, bem provavelmente eu diria que é um livro sobre a formação do caráter. O duro, meus amigos, é que não há como descrever. Quem viveu essa vida é que vai se identificar no ato. Bolinha de gude, futebol de rua, álbum Brasil Pátria Amada, seleção de 70, conjuntos do BNH, Gordinis, Vemaguetes, Tubaína, e por aí vai. Refresquei? Leiam, leiam!

Terminei o livro de uma paulada. Foi uma viagem de risos e choros, que terminada, só me restou olhar para o teto e continuar viajando, em lágrimas. Vontade de ligar pro cara, agradecendo. Quatro da manhã, foda. De modo bastante original, parece que eu estava em um divã, confessando tudo. A sessão terminou, doutor. A vida segue. Mas fica aqui meu agradecimento ao Márcio por tudo que ele me proporcionou. Infância devolvida, entregue de bandeja.

Li dia desses o Bagana na Chuva, do Marião (Bortolotto), e parece que é uma continuação do Meninos, do Marcião. Eles são irmãos, você saca? Foi através de um que cheguei ao outro. Estou achando que se eu vir a ler o Terra Vermelha (é esse o nome?), do Domingão (Pellegrini) vou encontrar o primeiro capítulo dessa saga. Irmão mais velho, esse. Será? Tenho impressão. Posso estar equivocado.

Quero matar logo minhas saudades do norte do Paraná. E como dizem que o Marcião não bebe mais, sei que o bom mesmo vai ser bolo de fubá, café e cigarros. Melhor. Bem melhor. O melhor escritor é aquele que você se sente amigo do cara sem nem conhecê-lo, tamanha identidade que ele lhe proporciona.

Uma pessoa que amei demais e com quem aprendi muito na vida me disse uma vez, depois de uma divertida palestra com a Adélia Prado: "Olha, a poesia dela é legal, mas dá mesmo é uma vontade enorme de comer o feijão que ela faz...".

Caras, leiam Meninos de Kichute. É um presente. Escrevam pro cara. E você, Márcio Américo, obrigado. Você tá na minha lista, meu chapa. Se for encarar cospe aqui!

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 6:30 PM Comentários:



Segunda-feira, Julho 04, 2005

Talento reconhecido

Excelente entrevista de Felipe Hirsch ontem na Gazeta do Povo. Gosto muito da lucidez e da seriedade desse cara. Sobre Curitiba e seu isolamento, uma das passagens mais legais é a seguinte:

Você falou de um certo orgulho de ser maldito, marginal. Qual a origem desse comportamento?

É um comportamento que convém ao mais talentoso artista não reconhecido. E convém mais ainda ao artista, ou não-artista, sem talento que não deveria mesmo ser reconhecido.

Entrevista completa, aqui

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 6:27 PM Comentários:




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