insônia, depressão, música, literatura,
crônicas de alcoolismo e declarações de amor
Segunda-feira, Maio 30, 2005
oaeoz
Descrever o que foi o show do
oaeoz é impossível. Talvez a melhor definição seja: melhor que o disco. Como do disco toda crítica já tem dito, dá pra ter uma idéia. Ainda assim, não arrisco.
Posso dizer sem dúvida que foi o melhor show que vi no
Paiol em 15 anos, pelo menos. Não me recordo de algo tão intenso em qualquer época, naquele teatro. Se eu disser que foi impecável, é pouco e não combina com a estética dos caras (sem falar que o violão do
Ivan desafinou no segundo tema, causando uma pequena interrupção, e foi mais legal ainda, com o
Carlão interagindo com a platéia e quebrando o gelo logo de cara).
Se disser que foi leve e sofisticado, menos ainda. Impressionantemente pesado. Coisa que todo mundo sabe que o neguinho aqui é chegado. Sujo? Não, pesado. E impressionantemente limpo. Eu disse limpo, não leve. Foi impressionante.
Pá, como eu fico orgulhoso de ver coisa original. Ave,
Celso Brown! Ave,
Rubens K! Ave,
Jahir! Os caras fizeram!
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:39 PM
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Quarta-feira, Maio 25, 2005
Feriadão foda em algumas versões da palavra foda
A festa é no
Paiol, sábado. Leve seu conhaque. Sorte pra rapaziada. Vou estar lá. Foda.
...
Periclitante a situação das rodovias brasileiras. Em pleno feriado, um perigo. Foda.
...
Periclitante a situação do Atlético. Antonio Lopes? Ai, ai, ai. Espero o jogo de logo mais quinta-feira, mas sei não. Foda.
...
Meu nome é trabalho. Textos, sons, trampos. Nada de feriado. Foda.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:29 PM
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Sexta-feira, Maio 20, 2005
Não há mais fronteiras
Vou postar um texto do
Leonardo Vinhas aqui. Se não viesse de um dos melhores críticos musicais do país hoje, eu não botava fé. Ou botava, sei lá.
Autênticos vampiros
Fiz uma coletânea em CD-R para mim que batizei de - Vai ser bom assim na casa do caralho! - Brincadeira, não achei um nome ainda, e olha que adoro pôr nome em minhas coletâneas. Mas acho que essa não precisa, é um caso em que a música fala por si só. (Acabei batizando de
Os Autênticos Vampiros, numa referência mais que óbvia ao
Dalton Trevisan, e menos claramente, às coisas que vivi e senti lá).
Meu amigo e editor Marcelo Costa disse que nesse ano o rock de Curitiba promete ser o melhor do país. Ouvindo essa minha coletânea, com um par de músicas de 10 bandas da capital paranaense, não só concordo com ele como ainda friso que talvez já o fosse desde o ano passado. Pérolas pop, rocks foderosos, jazz de roqueiro, baladas sentidas, angústia e lirismo. Foi difícil me limitar a apenas dez bandas, tive que deixar de lado gente bacana como Wandula, Poli, Mordida, Fato, ruído/mm, Pelebrói Não Sei e Sofia. Duvido que haja outra cidade no Brasil, capital ou não, que ofereça uma produção tão boa e variada. Você disse ¿São Paulo¿? Pfff...
OK, claro que tem muita porcaria na terra da garoa (São Paulo é só marketing). Mas por que se preocupar com eles ou mesmo dar nome aos bois? A indiferença é a mais cruel e eficiente arma contra a mediocridade. E também há outras bandas espalhadas pelo Brasil, coisas de primeira, como Lasciva Lula, The Vain, McQuade, Mariana Davies, Acústicos e Valvulados, uma galera em Recife e Alagoas... Mas a densidade demográfica de canções perfeitas em Curita é inigualável!
Taí a listinha da minha compilação, para quem quiser correr atrás. Ou é só pegar uma carona comigo. O CD não sai do player do meu carro.
1- Devo orar - Gruvox
2- Esquimó por acidente - Terminal Guadalupe
3- Aos garotos de aluguel - Poléxia
4- Bianca - Criaturas
5- A fumaça é melhor que o ar - Relespública
6- Ai de você, José! - Charme Chulo
7- Dia e noite - Íris
8- Lembranças (não valem nada) - OAEOZ
9- Pedra - Zigurate
10- Georgia - Johnz
11- O bêbado de Ulysses - Terminal Guadalupe
12- Nunca mais - Relespública
13- Cachorro magro - Íris
14- Como eu entendo o amor - Criaturas
15- Dias - OAEOZ
16- Polaca azeda - Charme Chulo
17- Como fazer amigos e influenciar pessoas - Johnz
18- Violetas na janela - Poléxia
19- Sombras - Zigurate
20- Ex-Idéia - Gruvox
21- Dor de Dante - Gruvox (bonus auto-concedido)
(Leonardo Vinhas)
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:58 PM
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Quinta-feira, Maio 19, 2005
Eu vi a luz
Espaguete fino, desses de armazém.
Peito de frango cortado em pedaços pequenos.
Hortelã picada e amassada, besuntada em azeite (opcional).
Alho picado e cebola (não exagere muito na cebola).
Creme de tomate seco (um achado).
Molho inglês (uma xícara pequena, pode ser).
Queijo mussarela.
Sal
Modus operandi:
Use seu instinto, talento e confiança. Assim que puser o macarrão na água, coloque o frango, junto com alho, sal e cebola pra fritar em pouco azeite na frigideira (uma frigideira grande é recomendável). Logo em seguida, taque (adoro este verbo) o hortelã. Espere um pouco e acrescente um pouco mais de azeite. Ponha o molho inglês, bem pouco, mexa bastante e deixe fritar. Quando começar e secar o molho inglês, não espere, parta para o ataque: acrescente o queijo e logo em seguida o creme de tomate seco, assim por cima, tipo enfeitando. Deixe parado, espere o queijo derreter, desligue o fogo, tampe a frigideira e vá cuidar do macarrão. Jogue em cima e tá pronto. Estou chapado até agora.
De lambuja:
Banana frita na mesma frigideira, sem lavar, de sobremesa. É o céu.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:06 PM
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Terça-feira, Maio 17, 2005
De Sampa, crises, grises e daltonismo
Conversei com monsieur
Linari, da incrível banda
La Carne, domingo, via telefone, aceitando a um convite dele para tocarmos juntos em
São Paulo, e formalizando as coisas. Engraçado, que foi no intervalo do jogo entre nossos respectivos clubes do coração, e o meu estava ganhando ainda por um a zero. Assim que desliguei, a agremiação dele virou, em cinco minutos, com dois gols de cabeça. Vou ter que agüentar essa tiração quando ele estiver por aqui dia
28 próximo, para o lançamento do
oaeoz no teatro
Paiol. Mas, crises do meu clube à parte, o importante é que o show vai ser marcado, começo de agosto. Aguardamos apenas a data correta. Melhor época para estar na terra da garoa. Agosto do cachorro louco. Agosto do poeta. Ao gosto do cliente.
...
O que fazer quando você perde todo o arquivo de um romance que estava escrevendo? Reescrever, é óbvio. É um sinal, é um sinal.
...
O livro
Grise, romance de estréia de
Edemar Gregório, será lançado em
São Paulo também, no mesmo dia e lugar do nosso show com o
La Carne. Atentem para o livro desse cara. Ele vai fazer história. É só o começo. Grande amigo, mas mesmo que não fosse, diria assim igual. Tem a cena curitibana como pano de fundo de uma história muito louca (grise é o mesmo que cinza). É muito estranho, a princípio, ler um livro em que todo o cenário você conhece ou já viu, com pessoas reais como figurantes, e os bares que a gente freqüenta e tal. Discuti muito com ele a respeito, mas chegamos à conclusão de que, se fôssemos de outro lugar, a descrição deste mesmo cenário seria apenas mais uma, e de rara informação sobre esta cena que é tão rica. O estranhamento é sentido porque somos daqui, e provoca este sentimento. Acho que é um quê provinciano meu, ou nosso. Algo como o cara descrevendo o
Fábio Elias tocando num bar enquanto rola uma determinada seqüência, compreendem? Estranhei porque conheço o Fábio, senão seria apenas descrição, e rica. Leiam. Não percam. É um livro feito (involuntariamente) para os jovens. Linguagem simples e clara. Coisa rara. Muito se faz para crianças e para adultos, e pela própria complexidade que é aquilo que se convencionou chamar de jovem, muito pouca coisa lhe é dirigida. E o melhor de tudo, é uma história com começo, meio e fim. Sem experimentalismos. Isso, meus amigos, em terra de
Daltons (ei! Dalton, daltônico, grise é o mesmo que cinza, hmmm) é, realmente, incrível.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:06 PM
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Quarta-feira, Maio 11, 2005
Mini
Nus, deitados. Janela, céu e lua. Estrelas. Soalho de madeira liso, colchão. Disco de vinil riscado, Billie. Prato de macarrão no chão, de lado, com restinho. Coca-cola, lata amassada que reluz de luar. Quatro olhos para o nada, envoltos no matiz azul.
- Sabe o que eu faria se você se fosse um dia? - ela diz.
- Como assim? Se eu fosse embora? - ele.
- Não. Se você morresse, Deus me livre.
- Ah, sim. O quê?
- Eu acho que eu ia entrar para aquele convento, ali bem perto da tua casa, sabe?
- Sei...- ele ri. - Nossa... por quê? - traz ela mais juntinho.
- Só pra ver tua mãe passar, todos os dias. De manhã...
O abraço une os corpos em lágrimas. Corações mais Billie virada num toc-toc bem baixinho. De paixão, cegos, amanhece um dia.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:54 PM
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Segunda-feira, Maio 09, 2005
Monday is a fucking shit!
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 1:43 PM
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Sexta-feira, Maio 06, 2005
Da série Diálogos Insólitos by Web
Ela:
semanas demoradas...
enquanto não te vejo
fico namorando uma dupla de edifícios
que tem no caminho entre aqui e minha casa
são dois predinhos lindos
um verde e um amarelo
tons pastéis
Ele:
poesia concreta...
Ela:
eles tem a pretensão de se chamar
TOM & VINÍCIUS
só que não é esse & comercial entre eles
e sim um nota musical com forma parecida
que minha ignorância não me deixa saber
Ele:
clave de sol ...
Ela:
clave de sol?, obrigada
e tem o detalhe
que o Tom está inacabado ainda
e o Vinícius já tem gente morando
as janelas têm formas diferentes
são lindas e altas
é que o tom chegou depois, né?
parece o céu
quando tiver cacife é um apê neles que eu quero
Ele:
...
Ela:
beijos, fui.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:41 PM
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Terça-feira, Maio 03, 2005
Terça feiril
Como já comentado pelo
Rubens K lá em baixo, hoje iniciam as leituras dramáticas no
1º Ciclo de Dramaturgia, com a presença do
Marião e durante toda semana com outros autores. Direção do
Paulinho Maia. Lá no teatro
José Maria Santos, na rua 13 de Maio, ali pelo
Largo da Ordem, às 20 horas. Pelo jeito vai ser tudo gente boa. Confiram a programação por aí. Hoje não vou poder ir, mas acho que vou dar um pulo lá mais durante a semana. Sobre onde é a bebedeira hoje, liguem pro Rubens. Acho que vai ser por ali mesmo, no Largo.
...
Ensaio pancadaria daqui a pouco, por isso não vou lá na leitura. Terminar esse disco de uma vez, que tenho coisa pra cacete pra resolver. Show em São Paulo, logo.
...
Pouca gente se tocou, mas
isto me diz respeito, e muito. E a todos os da minha geração que tomaram gosto pela leitura desde cedo, sem dúvida.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:06 PM
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