insônia, depressão, música, literatura,
crônicas de alcoolismo e declarações de amor
Segunda-feira, Março 28, 2005
control alt del
tudo que escrevi tornado
ao branco novamente
teu retrato à cor do giz
para o meu próprio bem
um trago ali
no bar do matuzalém
ou você acorda,
ou volta para sempre
a ser neném
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:42 PM
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Segunda-feira, Março 14, 2005
Cagando e desandando
Paguei e ainda pago o preço pelas cagadas que fiz ao longo dos últimos anos. Nada demais. Apenas cagadas que mexem com a vida de quem faz cagadas. Todo mundo faz as suas. Alguns tentam jogar a culpa nos outros. Eu não. É bom lembrar que minhas cagadas só prejudicaram a mim. Então que se foda. Não devo nada.
Eu assumo, eu pago o preço, eu sofro por conta. Eu agüento. Ninguém paga minhas contas. Eu sou homem. Pode deixar. Gostaria de pedir a algumas pessoas, especialmente às que fizeram parte desse passado recente, que não piorem as coisas. Também gostaria de dizer que se o negócio dessas pessoas é piorar, estou cagando pra elas.
Não encham o meu saco. Eu só quero paz. Não quero mais drogas, não quero mais amantes do que já tenho, não quero mais barulho do que eu já faço, não quero cobranças maiores dos que já imponho a mim mesmo. Não quero, como nunca quis, regras. Não quero.
O que eu quero só interessa à minha pessoa. O passado do qual eu quero lembrar ou esquecer só diz respeito a mim. Estou de saco cheio faz tempo, e isso é parte do preço que eu pago. Eu já sofri o bastante. Você que ainda tem paciência pra ler as merdas que escrevo aqui, está dado o recado. Vai na página da banda ali do lado e ouça o mp3
Ex-Idéia, que escrevi há 15 anos pelo menos. É bom pra ver que esta minha posição ou modo de ver o mundo não é recente. Se poesia for demais pra você, não posso fazer nada. A canção até que é boa, mas não é nada demais. Vai ler e ouvir o que você gosta e não enche meu saco. Em tempo: pode não ser com você. Mas não se isente e não vá tomando liberdades.
Podem ter certeza que vocês que se acham o centro do universo não são os únicos(as) cortados(as) da minha lista. Se eu passar e não cumprimentar, ou não sentar na mesma mesa, podem achar que sou babaca ou o caralho. Estou cagando. Infelizmente, este mundo é pequeno e eu vivo nele. Estou cagando. Eu não cobro ninguém, e não quero nada de ninguém. As pessoas que eu gosto sabem quem são, e também não me cobram nada. Se é demais pedir um pouco de paz, então que se fodam. Me esqueçam. Não sou tão importante assim. Não sou nada importante. Eu só quero paz.
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Impressionante a quantidade de lançamentos que se anunciam pela cidade neste ano. Uma porrada de discos.
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Festival de Teatro. Vou ver o que vou ver. Depois recomendo. Se é que minha opinião vale alguma merda.
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Gruvox está porrada. Os caras têm o demônio, não adianta. Breve, novos mp3 na página com clique aí ao lado.
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É bom ficar sem beber. Às vezes.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:51 PM
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Quinta-feira, Março 10, 2005
Zilka
Estranha e providencialmente, estava cozinhando uma costela de panela daquelas, na hora do almoço hoje, quando soube da morte de
Zilka Sallaberry, a dona Benta de nossas infâncias televisivas.
Minha mãe tinha desde criança o famoso livro de receitas homônimo, datado dos anos 1940 ou 1950, com uma figura na capa que fazia lembrar exatamente o papel que Zilka encarnou anos depois na tevê. Uma atriz tão genial que não conseguimos dissociar sua imagem deste personagem igualmente fantástico.
Hoje a
Fer Domingues me alertou que na verdade era a tia Anastácia quem cozinhava. Eu repliquei que era mentira. Tia Anastácia também cozinhava, é claro, pois ali naquela cozinha só tinha craque, mas a dona Benta é que era a chefe de cozinha.
Digo isso porque tive meus dias de Pedrinho, quando ia visitar minha saudosa avó Aurélia, na fazenda, de trem, igualzinho o personagem, vindo da cidade grande. Eu fui sim, senhores, Pedrinho em várias férias! Cacei Saci com peneira no redemoinho, meu chapa! Tão pensando o quê? E foi na biblioteca da fazenda, que li a obra do
Monteiro Lobato, muito antes de vê-la na telinha. É lá que eu me divertia mais. Os livros mais pesados ficavam em cima, lá no alto, e dá-lhe armações para conseguir pegá-los. Os de anatomia, que explicavam o sexo à moda antiga. Proibidíssimos. Líamos como se fossem revistas suecas de sacanagem. Acho que é por isso que literatura pra mim sempre teve um papel de transgressão. Eu já comecei mal, diria ironizando.
Voltando ao tema, e a vó Aurélia cozinhava, mas como cozinhava! Tinha sempre ao seu lado uma tia Anastácia, neguinha, geralmente uma prima de criação, coisa muito comum na minha família. Esse resquício de aristocracia rural, que a gente vê lá no Casa Grande & Senzala, eu vi com meus próprios olhos. Isso não tem mais. Não tem mais fazenda. Não tem mais nada. Passou.
Sei que minha cozinha hoje foi tomada por um astral muito do caralho. A costela ficou perfeita e eu fico aqui, de barriga cheia, neste escritório cheio de prédios em volta, lembrando do Pedrinho que fui um dia. Vida que não volta mais.
Salve, vó Aurélia! Salve, dona Benta! Salve, tia Anastácia! Ave, Zilka! Vai com Deus! Este país é um lugar genial.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:07 PM
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Quinta-feira, Março 03, 2005
Necas de Pitibiribas
Parafraseando não sei quem, vos digo: sou artista, não tenho nenhum compromisso com a verdade. Tenho compromisso com a fantasia.
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Morre
Rinus Michels. Pai da Laranja Mecânica. Pena. Digno de nota. Leiam minha coluna no site lá.
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Só isso. Ando sem saco pra escrever aqui. Acho que é mais um weblog que se vai, em breve.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:58 PM
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