insônia, depressão, música, literatura,
crônicas de alcoolismo e declarações de amor
Quarta-feira, Junho 30, 2004
Sei, Sei
Curti o segundo capítulo da nova novela das oito. Gostei da trama, dos figurinos e da reconstituição de época. A voz da Maria Rita (deve ser ela, porque lembra a da mãe) na música do Chico, tocada à exaustão, enche um pouco o saco, mas combina. E (incrível!) gostei da atuação da Marília Gabriela. Posuda, intensa, meio canastrona na medida certa para o personagem. Claro que ninguém deve ter gostado, pelo menos lá em casa. Por que as novelas não têm apenas duas ou três horas? Os argumentos são razoáveis, muitas vezes bons. Seria legal. Que droga. Sei que assim que trouxerem a história para os dias atuais vai começar uma encheção de lingüiça dos infernos. Bem, eu lá tenho tempo pra seguir alguma merda desse tipo hoje em dia? Azar. Tanto faz. Sou do tempo em que os galãs novinhos era o Chico Cuoco e o Tony Ramos, e os fodões eram o Cláudio Cavalcanti e o Juca de Oliveira. E as gostosas eram a Natália do Vale, a Denise Dumont (hum, essa era sem-vergonha, da classe das sem-peitinhos) e a Sônia Braga. Irmãos Coragem, Fogo Sobre Terra, essas coisas. Alguém agüenta hoje em dia? É legal ver alguns amigos ou conhecidos trabalhando, mas que é chato, é.
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Rock'roll Circus, grande registro. Como não havia assistido isso ainda? Existe em dvd, em diversas promoções de supermercado. Vale.
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Acho que vou sair do meu retiro alcoólico pra poder chegar em casa e agüentar o Galvão narrando a final da Copa do Brasil hoje. Duro é que no outro canal é o Luciano do Valle. Meus sais.
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Saindo da tevê/vídeo, aviso aos navegantes: show do
La Carne dia 10, no Rephinaria. O dono é escroto mas o bar é legal. Como é num sábado, vou. Sei que sair sábado é para amadores. Mas, sexta-feira, nunca mais. Caríssimo sr. Carlos Zubek, avise o senhor Linari para comparecer ao ensaio do Gruvox de tarde. Começaremos por lá.
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Aos amantes da boa feijoada (alô, Rubens K!), todo sábado ali na Andréia (Ruas Bar - Tibagi, 415) tem valido a pena. R$8 por pessoa, à vontade. Tempero honesto, sem muito veneno (o que é uma pena!). Absolutamente descontraído, o ambiente. Bacana.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:45 PM
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Terça-feira, Junho 29, 2004
Lei de Murphy. Lei do cão
ilustração:
www.figuredrawings.com
Cuidado. Eles são perigosos
Minha cachorra comeu minha carteira de identidade, há meses. Eu quis matá-la. Mas sem problemas. Uma hora eu tiro outra. Tava velha mesmo... Certo. Saiu a restituição do meu FGTS depois de 17 anos, do plano Bresser, alguém lembra? Aqui neste país as coisas demoram um pouquinho, os senhores entendem? É do tempo que eu trabalhava na Imprensa Oficial do Estado, ainda. Ótimo. Só que fui ao banco e adivinhe o que precisava pra tirar a grana: carteira de identidade!
Não fosse a proteção pra lá de maternal que a Nina recebe de sua mãezinha (que por um acaso do destino é minha esposa) ela já tinha virado sabão e pele de atabaque. Lá em casa o cachorro sou eu, não adianta. Dez dias pra sair a maldita carteira nova. E a grana, claro.
Ando rodeado de cães por todos os lados. Lá no estúdio do Rodriguinho a situação é um pouco mais agravante. O Sherlock (um dos cães, um vaimaranner, sei lá como escreve) come carros. Sim, senhores. Ele come automóveis. Sem preferência, de importados a fusquinhas, ele almoça e janta veículos automotores. Comeu todo o pára-choques do Escort do Rodriguinho, e o símbolo da Volkswagen do Gol do Alberto. Impressionante.
O Sherlock devia trabalhar num desmanche. Assim que a polícia chegasse, poderia-se livrar dos flagrantes. Ou numa reciclagem, sei lá.
Há outros cães em minha vida. A maioria já morreu, como o indelével Baptista, performer das festas do Peixe-Cachorro, na casa do Jahir. Morreu assassinado com dois outros, como Cristo, já dizia o poema do Amarildo. Virou até filme. Ou o Spiggy e a Jamaica, lá em casa, quando vivia com minha mãe. O Spiggy veio primeiro, e perseguia os ônibus que pegávamos lá no bairro, atrás da gente, cercando o veículo pela frente. Radical. Até o dia em que não venceu um Interbairros 2 e sucumbiu.
A Jamaica comia baseados, o que já livrou a cara de muita gente nos tempos de bar(g)ulho na garagem lá da casa no Pilarzinho. Deu à luz um filho de nome Bob Marley de Oliveira, que tal qual o seu homônimo famoso, desapareceu de casa para ganhar o mundo. A Jamaica morreu de velha, quando eu estava em Santa Catarina, exilado a ganhar dinheiro. Chorei muito quando soube de seu passamento, no meio de um jogo do glorioso Brusque F.C., com as mãos sobre o rosto, sentado na geral detrás do gol. Foi engraçado, um guardinha do meu lado falou: "calma, filho, o time vai melhorar...".
Peraí, não é porque eu chorei quando minha cachorra morreu que estou sendo condescendente com esta maldita raça que impera sobre o planeta, sujando nossas ruas de cocô e levando inocentes criaturas (especialmente as mulheres) a darem a eles regalias que nem os marajás da Índia jamais tiveram. Eles têm esse poder sobre as pessoas, eu mesmo já fui vítima. Agora acabou. Cachorro comigo agora é cachorro. Chega.
E há os cachorros do Renato, o Looper (Loopercínio); a Magali, do Gucci e do Gustavo; e o Dog e a Baby, da Adri (eles não devem ser do Ivan); mais o Woody e o Caco, do Carlão e da Patty. Destes eu não sei de nada, mas tenho certeza de que algumas eles aprontam. O importante é que nenhum deles morde. Ao contrário dos 17 cães da minha sogra (eu disse dezessete!), que matam-se entre si e mordem uns e outros humanos, carteiros ou não, vez em quando.
Já me lamentei demais. Tenho que cortar o cabelo, tirar fotografia, ir ao Instituto de Identificação, pagar uma GR, e achar minha certidão de nascimento e um comprovante de residência. Lembrei da música do Dusek agora, não sei por quê (troque seu cachorro por uma criança pobre / (...)/ dê comida pro cachorro mas também dê pro menino / senão um dia desses você vai amanhecer latindo).
Osso duro de roer esse do ofício.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:45 PM
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Sexta-feira, Junho 25, 2004
Sextafeiril
Lágrimas em minha face desde terça. O adeus a Brizola no Rio Grande do Sul está entre as coisas mais comoventes que já vi. O sentimento de civilidade é sincero. Está no rosto daquelas pessoas. A maioria gente velha, testemunhas e agentes da história deste país. De um período em que podíamos ter nos tornado algo bem melhor, quem sabe. Maldita tradição de raiz, que me persegue pela falta de.
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Falando nisso, o Felipão é foda. Mandou os skinheads ingleses de volta pra casa, o que melhorou sensivelmente a vida em Lisboa durante a Eurocopa, segundo os que lá estão. Big Phill, vai ter estrela assim lá longe, além-mar! Que jogão! A Euro é a Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. O que convenhamos, é bem melhor. Sinto falta dos times africanos. Aquele misto de força e inocência é bacana também. Depois do jogo de ontem, vi porque este troço mexe tanto comigo. É genial.
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Falando nisso, segunda vou ver o filme do Pelé. Antes de um football fan, sou um fã de documentários. Meus favoritos são Woodstock, Quando Éramos Reis e Buena Vista Social Club. Espero que este filme entre no meu rol. Sobre futebol, tem um belo documentário do Joaquim Pedro de Andrade,
Garrincha Alegria do Povo, que gostei muito, também. Quanto a Pelé, não tem pra ninguém. O negão era foda. Um dos orgulhos mais bestas que tenho é o de tê-lo visto jogar, ao vivo, lá na Vila Belmiro, no comecinho dos anos de 1970. É um orgulho besta, mas é impagável. Sabe o cara mais conhecido e famoso de todos os tempos? Eu vi.
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Falando de outra coisa, tem churras no bar da Andréia este sábado. Falei?
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:12 PM
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Quinta-feira, Junho 24, 2004
Falando de textos/reportagem. Olha que brilhante o do Moisés Mendes, do Zero Hora:
O legado de Brizola para o povo na praça
As mulheres, muitas delas participantes de episódios protagonizados por Brizola, eram maioria na multidão que foi ontem à tarde à Praça da Matriz para a última homenagem ao líder do trabalhismo
MOISÉS MENDES
O Piratini estava cercado por protagonistas de alguma coisa que ocorreu bem ali ou ali por perto muito tempo atrás. Postaram-se na praça ou ao redor do palácio, com cartazes feitos à mão, fotografias, bandeiras, rosas e fitas vermelhas. Era o povo na fila para ver o líder morto. Mas povo com história entalhada em algum vinco do rosto.
Estava lá a professora aposentada Celina Fernandes Escobar, 80 anos, natural de São Borja, com a memória do mais espetacular gesto de Brizola, a Campanha da Legalidade de 1961. Celina foi à despedida porque se engajou à mobilização popular que permitiu a posse de João Goulart na Presidência:
- Juntamos milhões nesta praça. Ameaçaram bombardear o palácio, mas Brizola não tinha medo de nada.
Celina falava e chorava, era consolada e aplaudida por quem estava na fila para entrar no velório que prossegue até as 7h30min de hoje. A alguns passos dela, a funcionária pública aposentada Jurema Alves de Oliveira, 80 anos, que pegou um ônibus no bairro Teresópolis, comprou uma rosa vermelha e pouco depois das 10h estava entre os 10 primeiros que veriam Brizola:
- Eu trabalhei na imprensa oficial. Era encadernadora. Quando ele se candidatou a prefeito, em 1955, eu fiz campanha. Era eu quem pedia para que votassem em Brizola, num alto-falante pela rua.
Quando o jatinho com o corpo de Brizola aterrissou no Aeroporto Salgado Filho, às 14h57min, vindo do Rio, a notícia correu na praça: ele já está aqui. Quando passou pelo Mercado Público, no alto de um carro do Corpo de Bombeiros, anunciou-se: ele está perto. E assim, aos poucos, tensionava-se a espera para quem estava ali desde cedo.
Quem não participou de nada, tinha pelo menos alguma referência de quem participou. Cássio Bedin, 55 anos, morador de Canoas, garantia que Brizola só não morrera quando criança pela interferência de seu pai, Percival:
- Meu pai era vizinho do Brizola na localidade de Cruzinha (hoje distrito de Carazinho). Um dia, quando tinha três anos, Brizola entrou no chiqueiro. Estava sendo mordido pelos porcos quando foi salvo por meu pai.
O advogado Sylla Duarte Mello, 84 anos, funcionário aposentado do correio, entrou na fila com a filha, a advogada Carla Silva de Mello, 30 anos. Estava de terno, gravata e chapéu:
- Vim me despedir do meu grande e querido amigo. Em 1961, fui um dos primeiros a me alistar no Mata Borrão (edifício do centro de Porto Alegre), para enfrentar os milicos.
Os homens eram minoria na praça e na fila. Para cada homem, pelo menos três mulheres, a grande maioria de meia idade. Elas tinham o que contar. Alba Warth Silva, 68 anos, secretária aposentada, entrou na fila com o neto Daniel Pereira Dornelles, 21 anos, e o afilhado Josias Pereira Nunes, 19. Alba, ex-militante da Ala Moça do PTB, abraçava um grande retrato de Brizola, retirado da parede do quarto:
- Brizola foi o presidente que o Brasil precisava e não teve.
Esmeralda da Costa Pinto, 73 anos, de Esteio, mostrava a carteira de identidade:
- Minha mãe era parente do Brizola. Eu era Moura da Costa. Casei e fiquei da Costa Pinto.
Vendedores ofereciam retratos, rosas e fitas vermelhas, tudo por R$ 1. Antonieta Soares, 73 anos, escriturária aposentada da Secretaria da Administração, relembrava que só virou servidora em 1960 porque Brizola instituiu o concurso público. E cantava junto o Hino da Legalidade saído de caixas de som:
- Marchemos todos juntos de pé...
Às 16h46min, o caminhão com o corpo de Brizola chega ao palácio. Chora-se, aplaude-se, fica-se em silêncio. Carla Mariotti, 27 anos, liga pelo celular para o pai, João Carlos Mariotti, que voltou com Brizola do exílio em 1979. Mariotti ouve, em Frederico Westphalen, o choro da filha, o Hino Nacional e o povo gritando:
- Brizola, Brizola, Brizola!
Às 16h52min, o caixão cruza a porta do Piratini nos ombros de cadetes da Academia de Polícia Militar. Um alto-falante reproduz discursos do comandante da Legalidade. Um cartaz balança nas mãos da industriária aposentada Lúcia Corrêa Monteiro, 57 anos, de Cachoeirinha:
- Brizola não é um homem, é uma pátria.
O povo protagonista começa a subir as escadarias do palácio. Entalha-se mais um vinco em rostos encharcados.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 10:50 AM
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Quarta-feira, Junho 23, 2004
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:02 PM
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Terça-feira, Junho 22, 2004
Brizola
Com tudo isso, ainda tenho a manha de dizer que fiquei chocado com o passamento do engenheiro
Leonel de Moura Brizola. Uma verdadeira lenda de minha infância.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 1:20 PM
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Segunda-feira, Junho 21, 2004
Anarco, enfim
Leio jornais. Sou viciado. Diria que um amante do jornalismo. De sua história, de suas nuanças, de alguns de seus mestres, especialmente cronistas. New York Times, Washington Post, Herald Tribune, London Times, Le Monde, Estadão, Jornal da Tarde, Folha de SP, Jornal do Brasil, O Globo, Tribuna do Paraná, diversos e muitos. Muitos. Todos têm história das mais interessantes.
Gosto. É uma paixão. Herdei de meu pai, que sempre, sem falta, trazia o periódico na hora do almoço. Soltava sobre a mesa, como que insinuando: "está aqui, agora é com vocês". Minha formação se deve muito a este hábito que nunca deixei.
Não me tornei jornalista mesmo tendo muita vez colaborado para este ou aquele pasquim, cá em nossas paragens. Pasquim no sentido negativo, não no sentido que ganhou após o genial Pasquim, dos anos de 1970. Jornaleco, mesmo. É só o que há por aqui. Um ou outro toma ares interessantes, como foi o Correio de Notícias na década de 1980, ou que por vez ganha a Gazeta ou o Jornal do Estado, raro. A imprensa local é vendida, pronta. Empacotada. Uma merda.
Tenho muitos amigos e conhecidos jornalistas. Claro que, tendo o hábito já citado, leio-os sempre. Gosto de todos. Vejo que a "culpa" por se fazer um jornalismo tão medíocre não é deles. Em meio a meus amigos, claro que não posso deixar de citar o Ivan (Santos) e a Adri (Perin).
O primeiro é mestre mesmo. Não depende do veículo em que trabalha para fazer o que tem que fazer com maestria. Seja qual for a tendência (leia-se aqui "do veículo"), ele consegue deixar seu texto brilhante e objetivo, na medida. Talvez o único por aqui comparável a Jânio de Freitas, Cláudio Abramo, ou Clovis Rossi. O cara é fudido e ainda arruma tempo para o rock.
A Adri é mais esperta, e aproveitou pra colocar o rock no seu jornalismo, tornando a coisa mais divertida e apaixonante, já tendo se tornado baluarte da cena independente nas páginas diárias da Gazeta. Imagino que, para agüentar a pressão, foi o melhor caminho escolhido por ela. Mas imagino igualmente que a pressão não diminua, visto que ela escolheu justo o caminho mais difícil dentro da música para ser seu objeto de trabalho.
Tem ainda o Douglas Fernandes, do Estado do Paraná. O cara é bom, autodidata, e pena ficar preso a tantas e tantas que só os que freqüentam as redações ou prestam atenção com profundidade diferenciada (como eu, que sou viciado) conseguem ver. Na hora de pagar o aluguel é que a diferença aparece.
O que acontece é que com tudo isso, esta convivência com a rapaziada do meio, muita leitura, formei opinião. Sempre fui politizado. Bem informado das falcatruas, desenlaces, destinos da política do país. Fui esquerdista. Como diria Paulinho da Viola, meu coração é vermelho e bate do lado esquerdo.
E agora? Bem, sob a ótica marxista, diria que como parte de um processo histórico, tudo que mais quis na vida foi ser um governista. Foi querer olhar para o homem que está atrás da tribuna lá falando à nação, e pensar ou comentar orgulhoso: "tá vendo? Nós vencemos". Queria encarar meu avô, que era da Arena, e dizer isso. Ou mesmo meu pai, que pertencia por razões óbvias a uma esquerda mais ortodoxa, e dizer o mesmo. E agora?
Quer saber? Mantenho minha paixão por jornais. Ainda sou de comprá-los nas bancas, apesar de estar altamente ligado à rede mundial de computadores. Mas voltei meu periscópio ao anarquismo. Sinto muito em dizer, mas não creio mais. Hay gobierno, soy contra? Não. Sou indiferente. Parei. Na verdade, o que sempre quis foi poder ser assim, de votar nulo, mas com a consciência limpa. Acho que consegui. Talvez seja parte de um processo histórico pessoal, nada ortodoxo. Vamos ver. Quer dizer, eu não vou ver mais nada. Vou continuar lendo, apenas.
É mais confortável, não? É o que vão dizer alguns. Responderei que um homem com uma certa idade merece ao menos este conforto. Sem fortuna, tomo o rumo dos senhores da praça Tiradentes ou da Boca Maldita, mas apenas para o meu cafezinho, e o meu jornal. Não me perguntem mais nada.
Meu encontro com a urna em outubro é que vai dizer. Antigamente votava no Vasquinho. Agora é num colégio israelita ali perto. O forró venceu. Mas estou decidido. Nulo. É capaz de dar uma coceira na hora, sei lá. Sou inexperiente nesse negócio de anarquismo. Vamos com calma. A primeira vez deve ser complicado.
Tá bom. Foi um rompante.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:43 PM
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Sexta-feira, Junho 18, 2004
Crônica curtíssima de um cotidiano etílico drogadito
Em casa, ontem, papinho vai, papinho vem, com a Ju. Normal. Toca o celular. Estranho. Isso é hora? Sem créditos, meu aparelho não registra quem liga.
- Alô! Quem é?
- Flávio, negócio é o seguinte: venha no banheiro agora, discretamente!
- Olha, amigo. Só tem um problema. Não estou no bar. Estou em casa.
- Ih, desculpa. Liguei para o Flávio errado!
E desliga. Só parei de rir hoje cedo. Eu, hein?!
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:54 PM
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Quarta-feira, Junho 16, 2004
Futeba com a turma da bio
O Pipo misturou Fernando Pessoa com Carlos Alberto Parreira pra fazer a convocação para as quartas-feiras, de longínqua tradição, onde jogávamos com o Walmas, o Rui, o Maurizzio, o Sindycate e toda turma da biologia da Federal. Hoje eu não vou, mas fica o recado, e semana que vem estou lá:
Dramatização máxima da guerra que não lutamos
Chutar a bola, é chutar o inimigo/amigo
é chutar os demônios que carregamos dentro de nós
é demonstrarmos o pífio amor pela nossa injusta e pobre nação
é afirmarmos o mito do macho latino americano
é ser o ator, o cineasta, o rock star, o escritor, o poeta que não fomos.
Levar uma porrada é o ferimento de guerra que nos tornará mártires
Fazer um gol é o orgasmo que devemos a nós mesmos é a nossas parceiras
Portanto conclamo os mortais para a abertura da temporada 2004 hoje no Casarão (rua do Herval, S/N. - Cristo Rei), às 19:00.
Trajem-se de suas emboloradas fardas, Pracinhas sem medalha.
Pipo
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:35 PM
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Sexta-feira, Junho 11, 2004
Legal este teste:
O meu deu este:
clique
aqui e faça o seu.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:05 PM
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Quarta-feira, Junho 09, 2004
Feriadão
Hoje tem dois shows legais e ligados entre si por uma coincidência de gerações. Leo Jaime, grátis no ParkShopping Barigui; e o Ira Acústico, no Guairão. Leo Jaime eu gosto pela inteligência e sarcasmo. O Ira é sempre um clássico. Gente que envelheceu sem meter o pé na jaca da mídia. Isso é legal. Como hoje é uma espécie de sexta-feira forçada, devido ao feriado de Corpus Christi, a noite promete. Mas não vou sair, devo me guardar para sexta (de verdade), quando o oaeoz volta a tocar na cidade, com a muralha sonora de responsa formada pelo imprescindível André Ramiro e o exuberante Carlão Zubek. O pouco que ouvi tá pesadão do jeito que eu gosto. Também não sei se vou, pois tenho ensaio sábado e os horários de show nessa cidade continuam criminosos. Por que razão, exceto shows em teatros e afins, será que nada começa antes de uma da manhã? E tocam três bandas! É foda.
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Cada vez mais divertidos os ensaios do Professora Terezinha (Combo Experimental Paranóico), a banda mais sem medo de ser feliz da história do rock¿ roll. Grandes temas, já está dando um caldo excelente. E o Rubens K é mesmo do demônio.
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Confirmado: Gruvox grava no Chefatura o single promocional. Sabia que podia confiar no Rodrigão e no Ferreira. Isso vai ficar duca. Aguardem o mini CD com dois petardos. Já tá no metrônomo, e o exuberante Carlão Zubek deve fazer um registro ao vivo em seu porta-estúdio neste sábado, para avaliações em geral. É pro mês que vem, já.
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Saiu a coleção do mestre Stanley Kubrick em dvd. Dois por quarentão. Aluguei O Iluminado na locadora, da mesma coleção. Os outros títulos que saíram são Laranja Mecânica, Eyes Wide Shut e Full Metal Jacket. Vou arriscar. Quer dizer, é tiro certo. R$80 pelos quatro. Veremos.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:10 PM
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Sexta-feira, Junho 04, 2004
ressaca... ressaca... ressaca...
depois de um plácido domingo
tácita segunda feira
terça bebe
quarta fuma
quinta cheira
sexta é da paixão
sábado sem eira nem beira
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:46 PM
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Quarta-feira, Junho 02, 2004
Jogão e frio
Dei muita risada no blog do Marião, um texto chamado
Londrina não merece o Galvão Bueno.
Não sei onde o Marião encontrou esta imagem abaixo. Peguei lá no blog dele também. Mas o importante é que este é o melhor disco do rock brasileiro de todos os tempos. Bem mais que rock:
Patife Band. Corredor Polonês.
...
Ensaiamos o
Professora Terezinha ontem. Deus do céu, quanta ferrugem. Nem parece que somos nós que estamos tocando. Doeu os dedos e tudo. Tava frio pra cacete, e eu parece que levei o frio pra dentro do estúdio. Mas, na boa. O Rubens tem uma hora que pula para o violão folk e eu vou para o baixo. Termina o som, os dois se queixam de dores, um por causa do baixo (eu) e ele por causa das pestanas na viola. Véio é foda. Ainda bem que tem o Albertão pra dar uma organizada na coisa. É o mais velho, foi pra batera. Daí Tarcísio Alencar nos vocais e o Celsão Amorim na outra guitarra. Mas assim que pegarmos os temas todos, vai ficar legal. Pra quem não sabe, aguarde, é uma banda de velhos canalhas que tive a idéia de montarmos só com nossa turma dos tempos de
Estadual. E o repertório é quase que só com as músicas mais bicho-grilo do mundo, que tocávamos na época. Mas no final acaba entrando coisa nova (e boa) também. É um
Combo Experimental Paranóico. Yeah! Terezinha era o nome da nossa professora de música no Estadual.
...
Eu tava lembrando dia desses da primeira copa que eu assisti (a de 1974), e que eu gostava dos argentinos. Achava o uniforme legal (bem mais bonito que o nosso, é bom que se diga). E os caras eram todos uns loucos, uns cabeludões. Tinha um zagueiro chamado Ayala, que tinha o cabelo até a cintura, sem brincadeira. O engraçado é isso, eu não sabia que era pra gente odiar os argentinos. Pô, foi sem querer, eu gostava, era criança, fazer o quê? Meu ódio só começou em 1978. E abrandou com o tempo. Mas hoje, não quero saber de neguinho fazendo corpo mole! É valendo, porra!
Ronaldinho não joga. Metade do espetáculo pra mim já foi por água abaixo. Pena.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:30 PM
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