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Quebradêra F.C.

insônia, depressão, música, literatura, crônicas de alcoolismo e declarações de amor



Quinta-feira, Maio 27, 2004

Noite Dessas

Sempre detestei estes caras que vêm vender poesia em mesa de bar, ou na rua, abordando as pessoas. Chegam com um livrinho impresso bem ou mal, pouco importa, ou folhas soltas. É ridículo. Muito. Tem um que fica parado lá no Largo da Ordem, dia inteiro. A quem passa perto ele diz: ¿você gosta de poesia?¿ Se a pessoa responde positivamente, ele vem com o ¿trabalho dele¿, etc., pede uma colaboração, pra ajudar nas despesas, tal. Já reparei que se a pessoa dá o que tem, assim como uns cinqüenta centavos, ele não vende! Diz que é pouco! Canalha. Eu passo reto, digo ¿sim, gosto¿ e continuo andando. Com o tempo, ao menos o palhaço supra citado não mais me abordou. E o medo?

Sei que é um assunto que não merecia nem ser tocado. Escrevo poesia. Boa ou ruim, tem quem goste. Eu especialmente acho que meus poemas dão boas letras de música, realmente acima da média. Mas literatura é algo sagrado, entende? Não no sentido eclesiástico, de algo fora do alcance de quem não tem iniciação. Eu não sacralizo assim dessa maneira a literatura, nem mesmo a poesia, que parece ser a forma literária mais nobre, no que se refere ao que há de mais sublime enquanto palavra. Palavra, entende? Daí o sagrado da coisa. Não sei se me expressei bem. Mas, como vender um troço desses? Afinal, não há preço que pague. Sei lá se estou certo. Mas poesia não é coisa que se venda. Não assim.

Simples: escreva, isso é o principal. Se gostar e quiser, edite. Edite como quiser. Eu já fiz livros em xerox, que mal há? Capriche que é melhor. Mas por favor, muito por favor, não saia por aí empurrando esta merda goela abaixo das pessoas.

Mande seus trabalhos (gratuitamente, lógico) a quem você confie que vá criticar de modo construtivo. Ouça com atenção o que estas pessoas têm a dizer. Faça lá um lançamento, ou dois, com festinha e bebedeira e música e sarau, vale tudo. Depois, deixe nas lojas especializadas, use a internet, divulgue, arrume distribuição. Mas nunca, nunca venha me vender essa merda na mesa de um bar que eu não gosto. Ainda mais com esse papo de ¿meu trabalho¿.

Em tempo: nem todo mundo é original como Plínio Marcos. Ele vendia seus livros pelo bairro do Bexiga. Era diferente, ele já era bem conhecido, um marco da dramaturgia brasileira. Aquilo era uma atitude. Não tente ser Plínio Marcos. É um esporte radical demais, pra qualquer um. E ele escrevia pra teatro. Não era poesia. Não assim.

Mas, há coisas que parecem só acontecer com minha desestruturada pessoa. Surpresas. Aconteceu. É Verdade. Estávamos no Gata Comeu, não lembro se com o Rubens K, ou com o Jahir. Era uma moçada. Tava bem de noite, já. Era sábado. Entra um sujeito com uns livros, e lá vem. Puta que pariu. Chegou à nossa, é claro.

- Oi.
- Sei, sei. ¿Teu trabalho¿.

No que a rapaziada, mais paciente que eu, pegou uns livros, bem editados, caprichadinhos, e ficaram lá, dando uma olhada... o cara foi em outras mesas. De canto de olho, noto umas folhas soltas, que ele dava a quem não comprava o livro. Exatamente o nosso caso. Pentassílabos? Hum...

Rosa

nas rosas que aspiram ar
são fraternas, são irmãs
com grande vontade de amar
respiram puras manhãs

não há quem não goste delas
com seu perfume distraído
cor branca, amarela
a realçar seu colorido

vibra alegria e destreza
lembrança que não se perde
halo de luz, cor acesa
no cálice da folha verde

minha mão afaga o espinho
retrata seu bem querer
rosa choque, rosa vinho
rosa negra, anoitecer


Caralho. Daí outro, uma terça, meio hai cai:

Revetenro

sentidos, cousas do além
quando carecem carinho
vão a quem lhes convém


Surpreso, procurei pelo cara. Estava a um canto, com umas meninas universitárias que ficam jogando sinuca por ali, sempre. A um aceno meu, ele veio.

- Cara, isso aqui é bom. Por que você vende assim?
- Ah, tenho que pagar meu hotel.

Não entrei no mérito. Sotaque lusitano. Claro, pentassílabos quase clássicos. Ele os recitou, aqueles versos, com o sotaque. Belíssimos. Leia de novo e tente imaginar um sotaque luso sobre a coisa. É do caralho.

- Você é português? ¿ perguntei.
- Açores ¿ me respondeu, inconfundível ¿ e tu?
- Ah, é? Legal. Sou de São Paulo, mas moro aqui há 27 anos já. Faz tempo que cê tá aqui?
- Coisa de dois meses.

Conversamos, ele tinha 57 anos de idade, dizia. Viaja o mundo desde 1967. Tem gente que mente, alucina. Não, o cara era um beatnik português. Quer dizer, açoriano. Dentes a menos na fronte da boca denunciavam. Conhecia Jack Kerouak e todos. Já esteve com Lawrence Ferlinghetti na City Light Books. Já assistiu Gratful Dead. Parece loucura, mas conheço contracultura o suficiente pra saber que o cara não estava mentindo. Dava nomes, datas e dados corretíssimos. Escrevemos uma quadra em versos livres juntos, que ficou bonita. Sim, eu faço coisas assim, em mesa de bar, quem não faz? Detalhe: ele não bebia. Pediu uns dois cigarros pra mim, ao que cedi numa boa. Ele tinha um jeito aristocrático de falar, bem típico dos açorianos, e que remete a Santa Catarina (por razões óbvias) e ao nordeste. Uma viagem. Elegância. Parecia música, ele falando.

- Amigo! Ó, caro poeta. A conversa está ótima, mas tenho que me recolher. Vou à feira vender amanhã ¿ ele disse, despedindo-se.
- Cara, só uma coisa ¿ intimei.
- Sim, o que queres?
- Você já assistiu Jimi Hendrix?
- Hendrix? Claro! Tomamos ácido juntos. Eu o vi tocar em Londres, e em Whight. Grande figura. Até mais. Grato. Que Deus os abençoe, todos...

E foi. O nome desse cara é Jorge Torres. Dei uma procurada no google e tem um monte de nomes iguais. Em poesia tem um chileno e um colombiano. Sei lá. Eu, hein?

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:50 PM Comentários:



Segunda-feira, Maio 24, 2004

nonsense de segunda-feira

Soube que correu tudo bem em POA, no show da moçada lá. Isso aí, rompendo fronteiras. Duro que dá uma saudade danada dos pampas. Nunca estive lá no frio. Quem sabe, no Fórum Social Mundial em janeiro/fevereiro, estaremos lá novamente. Com calor, claro. Quem sabe rolando um rock.

...

Por aqui, o miserê habitual, mas com classe. Semana de decisões importantes, pelo lado artístico e profissional, coisas que não consigo distanciar uma da outra, por estarem (feliz ou infelizmente) muito ligadas em minha vida e conduta pessoal. O que me lembra um velho poema do Marcos Prado:

(...) tuas decisões são como as bebidas
inofensivas, se não tomadas (...)

...

Diálogo interno de domingo à noite:

- 5X0! Huuuuuuuuuuuuuuuuuáááááááááááaá!!!!!!!!!!!!!!!!!

(rapidamente se recompondo)

- Isso aí, molecada. Mantenham a seriedade... sem brincadeira.

E vai saltitante trabalhar segunda, dois graus centígrados pela manhã nublada, mas como se fosse uma tarde ensolarada de primavera. Dia lindo, não? Huááááááááááaaá!!!!!!!

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:58 PM Comentários:



Terça-feira, Maio 18, 2004

OAEOZ em poa
pra quem for encarar o vento sul... boa sorte pra galera!


postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:18 PM Comentários:



Quinta-feira, Maio 13, 2004

Quinta-feiril

Se alguém tiver uns dois mil reais pra me emprestar, a fundo perdido, ou quiser realizar uma doação de bom grado a este artista miserável, clique aí ao lado, mande seu e-mail e posso enviar o número da conta. Grato. Seu lugar estará garantido no céu dos bem aventurados.

...

Falar em bem aventurados, não sei onde foi parar o CD do Adriano Sátiro & Os Bem Aventurados, que eu tinha honestamente surrupiado do meu irmão. Será que ele pegou de volta? Faz tempo que não encontro esses canalhas, especialmente o Mauricião, baixista e grande figura.

...

Domingo, na 96 FM, no programa Radiocaos, às 20 horas, vai rolar o show ao vivo do Pixies na Pedreira. Gravem, gravem, gravem. Imperdível.

...

Deram um habbeas corpus ao jornalista do New York Times que fez a reportagem do Lula bebum. Ainda bem, menos mal. Palhaçada essa onda toda, hein? O governo devia saber a hora de ficar quieto, e não ficar quieto sempre e escandalizar com uma merda dessas. Sofrível. Estou decepcionado. Será que temos plano de governo mesmo? Tudo que leio de gente do mais alto respeito indica que não. Será possível? Porra, quantas vezes não levantei a bandeira vermelha em churrascadas na casa da minha mãe ou na janela do meu apê? Quantas vezes não invejei os gaúchos por estarem tão à frente na experiência de um governo de esquerda? Quantas vezes fiquei puto pelo PT perder eleições para os vagabundos da direita? E agora, José? Será possível?

...

Jogão na Baixada sábado. Vou estar ensaiando até às seis, mas vou dar um jeito de ver o segundo tempo ao menos, em algum botequim. Que venha o Peixe!

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:33 PM Comentários:



Segunda-feira, Maio 10, 2004

Um lugar du caralho
Acho que o verso da música do Júpiter Maçã, entoada por Flu + Wander + Frank Jorge resume o que foi a festa. Todo mundo cantou este refrão de forma muito emocionada. Realmente, como o pessoal da equipe do David Bowie já havia me relatado há anos atrás, é o melhor lugar do mundo para shows ao ar livre. Acústica de pedra, natural, um lago, um espaço legal. Um lugar du caralho (sic). Como é bom tê-lo (o lugar) de volta.

Gente do mundo inteiro, grandes performances. E o melhor: o frio. Sem chuva, só frio. Impagável. Quem sou eu pra escrever sobre tudo que aconteceu? Inesquecível, só o que tenho a dizer. Leiam as especializadas. Eu encerrei. Seguem fotos (by Guto Gevaerd, do site O Bule, que além de tudo ainda tocou teclados com o Iris) e o set list mais inesquecível da história. Só isso.

1- "Bone Machine"
2- "Cactus"
3- "Nimrod's Son"
4- "U-Mass"
5- "Crackity Jones"
6- "Isla de Encanta"
7- "Vamos"
8- "Monkey Gone to Heaven"
9- "Hey"
10- "I Bleed"
11- "Broken Face"
12- "Something Against You"
13- "Mr. Grieves"
14- "Velouria"
15- "Caribou"
16- "Number 13 Baby"
17- "River Euphrates"
18- "Levitate Me"
19- "The Holiday Song"
20- "Gouge Away"
21- "Wave of Mutilation"
22- "Tame"
23- "Here Comes Your Man"
24- "Where Is My Mind"

ENCORE
25- "Gigantic"
26- "Debaser"
27- "Into The White"
28- "Planet of Sound"

(28 músicas em 1 hora e meia!!!!!!)

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:00 PM Comentários:



Sexta-feira, Maio 07, 2004

Seguinte, sem frescuras e direto ao assunto. Estou aguardando a moçada de Osasco e todos no barzinho em frente à Ópera de Arame, tipo umas 19 horas, de hoje, OK?

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:39 PM Comentários:



Quarta-feira, Maio 05, 2004

Tão putinha, mas tão putinha
Que a praça parava de pombos
Não havia nada mais romântico
Não ventava, não chovia, nem sorria

Uma tarde como tantas esquinas
Dobradas, cinzas, sem vida
Mas com aquela carinha...

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:34 PM Comentários:



Segunda-feira, Maio 03, 2004

what's up

Contagem regressiva para o show do ano. Preparar um kit com capa de chuva, três ou quatro maços de cigarro, discos pra distribuir, cartões com site pra distribuir, botinas com bico de coturno para o chão da Pedreira, tapa ouvidos para eventuais passagens ao lado do P.A., etc. Ir em turma pra evitar os habituais assaltos pelas bandas do Pilarzinho, especialmente na saída, e principalmente dormir muito, muito bem durante toda a semana.

...

O Pixies está detonando em todos os shows. A comoção é geral em todo o mundo. Vai ser bom, com certeza, se o velho Pedro lá em cima ajudar.

...

A turma de Osasco tá baixando na área para o show. Isso é sinônimo de muita festa e churrascada e jam sessions. Já vi tudo. Se desse pra marcar um La Carne pra domingo... eu tocava.

...

Li um texto belíssimo do Galera. Vem de encontro ao que venho sentindo ultimamente. Está no blog dele. O título do post é Fechado.

postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:53 PM Comentários:




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