insônia, depressão, música, literatura,
crônicas de alcoolismo e declarações de amor
Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
Ok, rapaziada, vou encerrar. Não estou mais afim de postar nada este ano. Se pintar uma coisa que seja muito relevante eu posto. A princípio, feliz natal e um 2004 ainda mais louco.
2003 foi o ano em que fizemos contato, entrei definitivamente nessa de internet, lancei um esperado álbum de estréia, com um show do caralho com o oaeoz e as Criaturas, em uma festa de rock memorável, daquelas de entrar pra história da cena local. Me arrisquei à prosa, em livro que não termina nunca (livros bons não terminam nunca, he he he). Devo editar pelo fim de 2004. Vamos ver. Voltei ao cenário rock desta cidade que é o cenário mais rock que existe no país. Voltei a assistir shows. Voltei mais freqüentemente à Baixada (este ano quero comprar um carnê). Comprei um gravador de CD e DVD (essa foi pra fechar com chave de ouro). Voltei a beber vinho em casa e a cozinhar. Paguei todos os bares em que devia (quase todos).
Este ano sofrido e genial e marcante não pode passar sem uma série de agradecimentos. Segue a lista:
Ao Ivan e a Adri, por motivos óbvios. Acho que sem a atuação deles eu não teria tido a vontade de volta a tocar ao vivo. Eles negam, dizem que isso é uma coisa que eu ia fazer de qualquer jeito, etc. Mas podem crer que é verdade. Sem eles, não ia dar, eu não ia ter esta vontade toda. Tenho certeza.
Aos caras que tocaram comigo, este ano. Bhorel, Lique (mais novo e profícuo parceiro musical), Jahir (gênio que voltou aos palcos nesse barco, disso me orgulho) e o Alberto (e toda a Opinião Pública, outro golaço do ano).
Agradeço muito, muito mesmo, à Xanda Lemos e suas Criaturas, Bruno, Caetano e Tile, que dividiram generosamente o palco com a gente, dando muita força, moral e logística. Inesquecível.
Ao oaeoz todo, André, Rodrigo Camarão e o Ivan, pelos mesmos motivos.
Ao Carlão, Igor, Rubens, Marcelo, Renatinho e suas meninas e cães e mais amigos, pela generosa e esfuziante amizade.
Ao Rodriguinho, velho parceiro, que assumiu a produção para o ano que se aproxima, dando nova qualidade a um velho trabalho.
À turma da DC2, Luizão e Carla e equipe, pela forma rigorosa de trabalhar com toda a liberdade. E pela liberdade de trabalhar com todo o rigor. Liberdade nos horários, no visual, no estilo. E rigor nas idéias. E pela generosa descolagem de cartazes, flyers, capas de discos, etc. E pelo aumento, claro.
À Claudia Bia, pela força neste weblog.
Ao marcelõ Gomes, pelas sessões de estúdio.
Aos donos de bares que me aturaram. Neil, Márcio (Roxinho), Sidão e Toshio (Jabuti), Paulinho (Don Max), Andréia, Flavinho, Arlindo e Lino.
Ao Flavinho (novamente) Luizão e Pipo, pelas baladas e festas.
Ao Renato e a Néli, pela imensa colaboração e amizade. E toda turma da imprensa que ajudou, Dary, Luigi, Douglas, Cyro, Ângela, e a Adri e o Ivan, de novo, claro.
Às novas pessoas que conheci, Tony (Rock Brigade); Daniel Matos, Ismael, Galera, Blanched e Debora (de POA); Linari, Jorge, Xitão e todo o La Carne, Miranda e Rafa (SP), Sonic Júnior (AL).
À Juliana, pela paciência e pelo amor. Este ano vai ser melhor, meu bem.
Se esqueci alguém, desculpem-me. Feliz ano novo.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:09 PM
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
ressaca... ressaca... ressaca...
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:21 PM
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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
o peso das medidas
meia dúzia de amigos chapados
dezenas de frases sem sentido
mais de mil amores mal vividos
em centenas de cigarros apagados
quilômetros de conversa fora
aos litros impotáveis de bebida
centímetros infinitos à saída
dos minutos que percorrem toda hora
um grama insano de razão
segundo pesam porcarias
sobre sólidos quilos de solidão
decibéis de um zumbido sem fim
uma cara profana de outros dias
pitadas do que resta de mim
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:12 PM
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Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
belo visual para o almoço
Descoberta gastronômica
Hoje fui comer num lugar legal. Um restaurante agradável, chamado
Mestre do Largo, lá em frente ao Relógio das Flores e do cavalo que vomita, no setor histórico. Sobe uma escadinha e sem muito esforço pega-se um lugar à janela com belo visual do casario e da praça Garibaldi. Mesas redondas e espaçosas. Copos de vidro (incrível!).
Excelente. Vastas saladas, ótimas opções de carnes, feijoada aos sábados e mais carnes aos domingos. Tudo muito caseiro. Ideal para quem enjoou dos intelectualóides e artistinhas e daquela comida insossa e do preço do Mikado (não confio em lugares que não têm farinha de mandioca). Falando sério, tem cada hype que dá vontade de matar.
Destaque para o pernil de porco com laranja que comi hoje, mas que a moça lá só faz quando dá na telha, volta e meia. Ela faz peixes também. É uma oriental simpática que cozinha muito bem, pelo visto (e provado, e aprovado).
E o melhor:
R$4,80 por pessoa, buffet livre.
Aos sábados (feijoada) e domingos:
R$7,80, igualmente livre. Óóóóóótimo.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:38 PM
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Terça-feira, Dezembro 09, 2003
Essa eu copiei do sinestesia, que por sua vez o Igor copiou do site do Glauco. Sem comentários:
O futuro da música brasileira eu não sei qual é, mas o câncer dela eu sei. É o ECAD, o Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais.
Estive lá hoje e perguntei à atendente quanto eu teria que pagar ao ECAD para um show com dez músicas dos Beatles, só para saber.
-Qual o preço do ingresso? Ela perguntou.
-Grátis.
-Bem, quando é um evento gratuito nós cobramos por estimativa de público.
-Bem, digamos que o público estimado seja de trinta pessoas.
-Então custa R$ 82,50.
-E se ao invés disso eu vender ingressos?
-Daí o ECAD fica com 10% da bilheteria.
-Ah, então se eu vender trinta ingressos a dois reais cada, a taxa a ser paga ao ECAD é de seis reais?
-É.
-Quer dizer que é mais barato eu fazer um evento pago do que gratuito?
-É.
-Ah bom. Por um instante cheguei a pensar que vivia em um país onde as coisas fazem sentido.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 6:13 PM
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
Isso é lindo:
São os dias engolindo as idéias,
tempestade que não passa mais.
Ontem eu vi alguém que se ama,
isso é raro e já não me toca mais.
Carlão (Fases, frases e tempestades)
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:36 PM
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Safra 2003
Beijo AA Força, Relespública, Iris, Primal, Extromodus, Pelebrói Não Sei, Reunião, X Thru Metal, Loxoscele, Maquinaíma, Fato, Oswaldo Rios, Maremotos, Gruvox, Cores D Flores, No Milk Today, Opinião Pública, Skjktl, Saul Trumpet, e muito mais.
Impressionante o número de títulos lançados pela música curitibana neste ano de 2003. Acho que sem dúvida alguma foi um recorde. E vem aí os primeiros álbuns de Faichecleres, Ziriguidum Pfóin, Criaturas, Bad Folks, etc. Sem falar os artistas que vão lançar novos discos, alguns já lá pelo terceiro título, como Maxixe Machine, Zeitgeist, oaeoz, Black Maria, Vadeco, Djambi. Muita coisa. 2004 vai ser duca. Podem crer.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:19 PM
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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
Hoje era dia do meu mais um dia
Eu convidei deus e todo mundo
Todo mundo sabia
Todo mundo não veio,
Mas deus, eu hein?
Quem diria...
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 9:51 PM
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Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
Melancolia de verão (fev/2003)
Ah, essa necessidade de criar toda hora. Pensando na morte da bezerra e nas contas a pagar. Pagar o estúdio, pagar o bar. As outras, luz, telefone, prestação do apartamento, C&A (urrrgghh), já descontam direto da conta, que esgotou o limite. E ainda ter que pensar numa merda de um anúncio para uma empresa de design que faz convites para formatura. E tudo isso sem um diretor de arte que preste para te ajudar.
Ouvir os dois tracks do Nick Cave que a Cláudia me mandou. Demais. Eu não falei? O negócio é esse. Caras assim é que são legais. Fazem um disco simples, com canções simples e bonitas, vivem em suas cidades, em paz, e não enchem o saco de ninguém. Tocam ao vivo só quando lhes dá na telha, e em lugares onde eles quiserem. Caras como Cave, Tom Waits, Lou Reed, Nei Lisboa, Vítor Ramil.
Não tem nada melhor do que você estar na Lancheria do Parque, em Porto Alegre, em meio ao caos universitário de fim de tarde, olhar para o lado e ver que o cara que está bebendo a seu lado é o Nei Lisboa. O cara nem carro tem, vive por ali, tem um escritório, faz um trabalho super respeitado, e não enche o saco de ninguém. Isso sim é que é gente. O maior nível de preocupação do cara é com um texto ou canção que ele está escrevendo, ou com o meio campo do Inter. Vida tranqüila, que a idade traz. Tenho inveja de gente assim, longe da correria.
Tem dias que não quero saber de rock¿n roll. Não desse jeito que a gente sempre pensou que era o jeito certo de fazer, assim pra dar certo. Ridículo, primeiro porque não é certo. Segundo porque nunca deu certo.
Desde que vim morar no centro sinto um misto de orgulho e melancolia, quando ando por estas calçadas que cospem na gente, depois da chuva. Aqui nesta Curitiba velha. Aquela da rodoviária velha. Não a Curitiba dos prédios espigados, a Curitiba lá de cima, mas sim a Curitiba downtown, onde moro. A Curitiba do bar do tio Zé, não a dessa gente inglesa ali do Batel, dos duplex arrogantes e dos colégios de gente rica. Digo sim a Curitiba do velho Colégio Estadual, art déco, dos velhos ricos que tomam cerveja ali no Palácio, enquanto sua velha casa vendida pelos filhos vira um escritório de publicidade ou o estúdio onde a gente ensaia. Ah, estas velhas casas... Quero a Curitiba dos apartamentos bossa nova. Às vezes sinto falta até da minha velha Baixada, com arquibancadas de tijolinho à vista, do rio podre que corria ao lado, de tomar quentão e comer pinhão nas tardes de frio, atrás do gol de fundos, enquanto Nivaldo comandava o meio campo e a gente perdia. Tudo bem, o estádio que ergueram no lugar é lindo, e o time é o melhor do mundo (epa!), mas cadê o quentão e o velho coronel gritando a-tlé-tiii-coooo? Cadê a Gilda?, o único travesti barbado do universo? Dá uma moedinha senão te dou um beijinho...
Hoje não. Hoje cosmopolita. Hoje um show de rock todo dia. 250 bandas, 20 peças de teatro em cartaz, 50 cinemas, e até uma exposição do Andy Wahroll que ainda não fui ver. Isso porque é verão, e ainda tem muita gente na praia. Não era isso que você queria? Ah... se arrependimento matasse... Me disseram que em Londres até inglês a gente encontra. Claro, eles estão todos aqui, e alguns nunca estiveram lá. Bem, eu, como todo bom curitibano, nasci em São Paulo.
- Bóris, que foi? Tá viajando?
Acordo do devaneio e segue a reunião de pauta com o diretor de arte que pensa que é diretor de arte. E ainda tem ensaio com a banda, pensando naquele show cheio de luzes, pretensioso. Ai, meus ais. Será que chove? É melhor dobrar as barras das calças, que as calçadas vão começar a cuspir de novo.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:24 PM
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