insônia, depressão, música, literatura,
crônicas de alcoolismo e declarações de amor
Quarta-feira, Novembro 26, 2003
De mim um pouco
Olha, eu não montei um blog pra falar da minha pessoa. Coisa que muita gente faz e que também não acho nada demais. Cada um faz o que quer.
Montei um blog como quem monta uma banda de fim de semana, ou um time pra ir jogar no bairro vizinho. Acho um puta veículo. Só. Mas hoje vou falar um pouco de uma coisa que anda me incomodando. Eu.
Eu não sou publicitário! Ok? Deu pra entender? Eu escrevo. Sou escritor. Não é culpa minha e não vejo nenhum glamour nisso. Sou, apenas. Ah, vão dizer, perguntar, cantar: mas o que você escreve? Eu vou responder: qualquer coisa. Pode ser? Eu vivo de escrever. É assim que eu ganho meu pão. Poesia, conto, crônica, ensaio, reportagem, roteiro, peça, opereta, letra de música, canção e... publicidade. Sim. Por que não? Eu gosto de me divertir, me pagam bem (?) para que eu me divirta, criando anúncios e outras coisas estúpidas. E eu gosto.
Mas não gosto quando algum imbecil vem me dizer que sou publicitário, que não sou. E os imbecis falam de um jeito que até parece um crime ser publicitário. Não tenho nada contra. Mas não sou. Em tempo: também detesto publicitários (aqueles, sabe?). Ponto final.
Outra pergunta detestável é aquela: você gosta de escrever? Ridículo. Ninguém gosta de escrever. Resposta: não. Eu não gosto de escrever! Escrevo porque se não escrever eu fico louco. Se não publicar o que escrevo (no caso, minha banda de rock), eu não faço barulho. Se eu não fizer barulho, não rola trabalho. Se não rolar trabalho, fico sem grana. Se não tiver grana, fico louco. Então, escrevo para não ficar louco. Só. Deu pra entender ou vou ter que partir pra cima? Vou começar a dar porrada. Daí vai ficar bonito.
Me dou melhor com poesia (é o que dizem). Toco um violão mais ou menos e componho música, em que sou melhor nas letras (é o que dizem). Por isso montei uma banda. De tocar eu gosto. Fazer um som é do caralho. Toco por dependência física da coisa. Toco com uns caras fudidos e por isso sou bem reconhecido no meio. Mas eu quero que o meio se foda. Não estou nessa pelo sucesso nem nada. Pode ser?
Jogo na meia esquerda do meu time. Sou de lua. Dia que jogo bem, dia que não. É um hobby. Sem cobrança, tá? Sei que futebol é coisa séria. Pode ser?
Sou artista gráfico amador também. Faço capas de discos meus e de amigos, edito jornais, revistas, cartazes (viram o do Marião, ali? Podia ficar melhor, né? Desculpa aí, Marião! Ha ha ha), etc. Mas só quando estou afim. É um hobby. Ah, não gostou? Não posso ter hobby? Quer apanhar? Cuzão.
Arrisco contos e crônicas volta e meia. Vai do momento. Da loucura que tento evitar. Do que o tempo e o espaço que fotografo mentalmente pede. Ah, então do que você gosta? Êta perguntinha ridícula também. Sou um cara normal, que não nasceu em berço de ouro - igual muito bunda mole posando de artista por aí, e trabalho pra viver. Gosto do que todo mundo que é normal gosta. Ler, ouvir música, ver show, cinema, teatro, feijoada, churrasco, futebol e mulher (especialmente a minha). E gosto não se discute. Dizem. Pode ser? Posso ser normal? Se não pode, então vem fazer eu não ser, cuzão.
Tá pensando o quê? Foi escrevendo que consegui tudo que tenho. Comprei a duras penas minha casa, pago minhas contas e é com a grana dos textos que saio beber com meus amigos, que é outra coisa que gosto de fazer. Pronto. Este espaço aqui é para troca de idéias, divulgação de coisas que gostamos e temos em comum (ou não). E só. Publicitário é a puta que te pariu! Pode ser? Ah, não pode? Então vá se foder.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:53 PM
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Terça-feira, Novembro 25, 2003
Marião vai estar na área em algumas horas. A festa é amanhã. Um dos artistas mais íntegros da atualidade. Podem conferir.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 7:20 AM
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Sexta-feira, Novembro 21, 2003
um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegando atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra
Paulo Leminski
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:52 PM
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Quinta-feira, Novembro 20, 2003
Dando a cara para bater
por Claudia Beatriz Villela
Passei a tarde lendo, em comentários por blogs amigos, a convocação para uma passeata que vai acontecer (já aconteceu? não consegui descobrir o dia...), em São Paulo, pela redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
Vou meter a mãe no meio. A minha. Ela trabalhou uma vida entre a Febem e a Secretaria do Menor (que depois mudou de nome, porque a palavra "menor" pegava mal, uma bobajada), fez mestrado justamente sobre a questão do menor delinqüente. Quando os maiores de 16 anos ganharam o direito de votar, ela já sabia o que viria depois. Deve estar muito p da vida, onde quer que ela esteja.
Porque, convenhamos, jogar a molecada delinqüente na cadeia é varrer a sujeira para baixo do tapete. Resolve? Como é que resolve? Se a questão carcerária já é problemática ao extremo do jeito que está, mandar uma nova geração para lá vai melhorar alguma coisa?
A questão é de desigualdade, sim. Não só, claro, somos violentos, nós, seres humanos. Mas se não aprendemos, se não comemos, se não temos chance nem futuro, vamos ter só mesmo o direito da punição?
Estamos mais uma vez tendo uma reação coletiva a um crime horrível, totalmente injustificável, o crime. A mídia, o cansaço e o medo gerais em relação à violência e uma certa fome de vingança estão fazendo as pessoas procurarem uma solução, e mais uma vez é a redução da maioridade a que parece mais fácil. Mais imediata.
A mesma indignação devia levar as pessoas, na minha opinião, a berrar pela mudança da situação toda, por uma educação horizontal, pela abertura do mercado de trabalho, por condições mínimas de vida, até por uma instituição que substitua a Febem e que profissionalize e oriente, não misturando os menores mais "experientes" com os que estão lá por pequenos delitos. E também a lutar contra a corrupção que permite que as drogas se alastrem. Tanta coisa! Claro, nada que resolva o problema agora, neste momento.
É igual a defesa da pena de morte. Que tal colocar bandidos para trabalhar, pesada mas humanamente? Que tal colocar os menores infratores graves em uma instituição fechada, sim, com disciplina, sim, mas preparada para reeducar?
Que tipo de resposta nós queremos, afinal das contas?
É isso que penso. Se você pensa diferente, é seu direito.
Claudia Bia é editora do 100sal.blogger
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:00 PM
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Segunda-feira, Novembro 17, 2003
no calor, a paisagem treme
toda gente treme
de frio treme
de medo treme
de fome e de nervosa, treme
o trem nos trilhos treme
gelatina é consistente e treme
mesmo a terra às vezes treme
nem todos que tremem, é porque temem
varas verdes não têm nervos e tremem
é fato que nada treme
mais que meu café com creme
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:24 PM
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Sexta-feira, Novembro 14, 2003
Pô, tem discos que eu gosto tanto que eu tenho vontade de presentear a Ju. Aqueles artistas que você quer repartir com alguém, que minha atmosfera ariana parece dizer que é coisa minha, que só eu conheço. Foi assim com o Itamar Assumpção. Só comprei todos os discos do cara depois que eu quis porque quis dar o Sampa Midnight de presente pra ela. Algo assim: você tem que conhecer isso! Ainda não ouvi o novo Nei, que também tive a honra de apresentar em maior escala pra Ju. Tá prometido, no Natal. Cara sem vergonha, que dá presentes pra namorada coisas que são na verdade pra ele ouvir. Dois coelhos. Yeah! Bah, Nei. Te cruzo na Lancheria pra gente tomar umas Polares, próxima vez que eu for a Porto. Tá bom, véio? Falando sério, olha que letra!
PRIMEIRO AMOR
Desiste de ficar assim
Que lá no fim da solidão
Ninguém vai te explicar tintim
Quem pode te ajudar a lamentar a razão?
Fosse por mim, era lei
Cada paixão que eu guardei
Se eu precisar, tava ali
Tava como eu deixei
Pronta para amar, uivando
Louca pra dizer que sim e sim mais uma vez
Talvez
Chorando pra nascer
A vida aponte o rumo da emoção
Então
Quando o primeiro amor
Deixa certezas presas por um triz
Quem diz
Se é um começo ou fim
E bem no meio dessa confusão
Vai ver
O teu final feliz
É minha próxima atração
Nei Lisboa (Relógios de Sol)
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:06 PM
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Quinta-feira, Novembro 13, 2003
Há parcerias que dão pé
quantas monções
eles tinham lá
na ilha de mont serrat
um bangalô? será?
será que eles viram algum índio lá
iguais aos que temos cá
isto é quase não temos mais
aqueles que nos foram leais
lá em mont serrat as coisas são diferentes
o vulcão é mais embaixo
e dele sai a lingua de fogo
que quer te queimar
você que não é bobo nem nada
não vai esperar
para ver a lava que vem
em disparada carreira
morro abaixo pra te sapecar
e deixar as marcas nos seus pés
que ainda têm muito por andar
Flávio Jacobsen / Carlos A Lins
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:47 PM
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Domingo, Novembro 09, 2003
garrafa de vinho
maço de cigarros
papel pergaminho
mar de versos e escarros
a madrugada e eu
tantos e tantos caminhos
entre goles, mal tomados
até que amanheceu
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 10:17 PM
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Quinta-feira, Novembro 06, 2003
Ei! Estávamos lá mesmo.... boa.... National Garage 2003. Noite de terça dia 4/nov.
photo by www.curitiba.org
Clique aqui para ver os vídeos da noitada
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:53 AM
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Quarta-feira, Novembro 05, 2003
ressaca... ressaca.... ressaca.... alguém tem foto de ontem?
................ressaca.. ressaca.... ressaca
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:02 PM
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Segunda-feira, Novembro 03, 2003
Essa eu peguei no blog do André Ramiro.... muito irônica a frase. Digna de um Mac Luhan ou Timoty Leary.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:02 PM
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Domingo, Novembro 02, 2003
às vezes, começo pelo último verso
o mais estúpido que encontrei na rua
antes tropeçar nalgum que teço
a começar de olhar a lua
é preciso laborar até a fadiga
ressaltar o que quiser, palavra
ao final, situação traçada
qual desenho, decifrar o que se diga
saber qual a pior cilada
o entrave de uma extrema dor,
ou amor que leva a nada
tentar fazer por merecer
musa que se tem por flor
mas é pétala de malmequer
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 11:56 PM
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