insônia, depressão, música, literatura,
crônicas de alcoolismo e declarações de amor
Terça-feira, Setembro 30, 2003
ei, tenho uma banda e estou afim de tocar. será que alguém aí sabe de alguma coisa? um lugar simples que tenha um palco pra cinco, um som decente e um pouco de equipamento de luz? será possível? Damos 20% do cachê ou da bilheteria para quem descolar.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 6:36 PM
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Plagiaria
acenar com poesia
optar por um lado da rachadura
emprestar de outrem maestria
ornamentar com a própria moldura
ignorar o que se tem por tom
tonalizar com senso de pintura
sinalizar com ruptura
imprecisar o que precisaria
especializar o que de nada adiantaria
escolher o que já não se queria
sacralizar todo e qualquer santo dia
encontrar a chave do som
dar sentido ao que se sentiria
roubar silêncio de fotografia
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:12 PM
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Segunda-feira, Setembro 29, 2003
Segue uma letra do Luizão,
que estou muito próximo de musicar.
O título fui eu que dei:
Rimas de tudo isto (esclarecimento)
O que há de concreto
No que te parece abstrato
É o que há de povoado
No que me parece deserto
O que tens de certeza
Quando te parece exato
É o que há de raro no fato
Que não vejo com clareza
Somos o ópio do povo
Pão e circo aos excluídos
Somos mocinhos e bandidos
Os jacarés do escuro fosso
Nada mais faz sentido
E sempre pode ser explicado
Basta um copo e um cigarro
E rimos de tudo isto
Luiz Alexandre Friedrich - 26/08/03
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 2:16 PM
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Domingo, Setembro 28, 2003
este é o Azeitona, graaaannnnde figura, com uma moça aí, no bar da Andréia, dia desses.
o Azeitona é um dos meus grandes parceiros de boteco. está em todas
e sabe tudo da segunda divisão do futebol de São Paulo.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:57 PM
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Sábado, Setembro 27, 2003
- O que ele quis dizer com isso? Bichinha? E ele falou que ia encher a minha cara! Quem ele pensa que é?
Ajeitou os óculos, pagou a conta e Maria muda. Sempre ficavam de bobeira no café, todas as tardes, vidinha boa, almoço e volta pro hotel, cinema e volta pro hotel. Quatro estrelas, bom. Sauna sábado, sempre no hotel. Uma suíte, bela vista da praça. Luxo. Ele sempre viveu assim. Depois da herança, advinda da morte do avô, com quem fora criado, melhor ainda. Formado em Direito, nem pensar em exercer. A vida pode ser melhor. Viajar, que nada, detestava. Bom ficar aqui, vidinha boa, sem correria.
Maria não falava há dias. Usufruia, mas já incomodada com isso. De classe média trabalhadora, que nunca foi muito disso, a mulher de um milionário vagabundo. Foi um convite, quase um contrato. Trabalhar, nunca mais, pensava. Mas que sentido fazia aquilo tudo agora? Ah, é assim? Vai ter que me sustentar, o playboy. Eu topo. A vida pode mesmo ser melhor. Ele a leva como um objeto de prazer. Um souvenir. De rara beleza, é bom que se diga. Roupas, roupas e mais roupas, que de jóias nunca foi muito. Um brinquinho aqui, uma pulseirinha acolá, mas nada de mais. Discos, muitos. Sem falar, Maria dava ouvidos ao walkman com o último Radiohead. Saco. Tudo à mão. E ele ali, caminhava observando a arquitetura da praça. Parece que não cansava de olhar pro art déco do prédio da esquina, em frente ao teatro.
Chegam à suíte. Seis e meia da tarde. Maria tira o fone, ele olha pela janela, como sempre, o crepúsculo sobre a praça. Retirou o fone ao fim da última faixa, parece que cronometrado. Um silêncio cortante. Maria tira primeiro o cachecol. Casaco, blusa, bota, calça, meias, sutiã, e a calcinha. Ele em seu terno preto, de costas, mirando a praça. Nua, ela pede que se vire. Sempre assim. Ele vira. Olha para o branquíssimo corpo de Maria. Em vez do usual, ela pede:
- João, dá pra você chegar um pouco pro lado? Fica mais ali no canto.
- ...
Ele se afasta lateralmente, sem entender. Cinco passos e Maria voa do décimo quinto andar do hotel. Em pêlo, abre os braços. Sem grito, um ruído seco no asfalto e barulho de um carro freando.
Ele disca o número da recepção. Problemas com o ar condicionado que esquenta demais, é o que parece.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 5:51 PM
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álcool
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:36 PM
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aquele preto que encontrei em joinville apareceu na paulista. vazia, sábado à tarde. até senti naquele instante o sabor de uma nova amizade. mas é que a sombra do masp acalanta em dias quentes. todo peso de um acervo sobre uma cabeça que não há água de coco, guaraná ou pingo de modernidade. não foi mais que miragem. ele parecia o itamar assumpção, sombra de atonalidade. mas não era midnigth. era sampa, tinha o trianon, mas a hora dava duas da tarde. alguns punks davam tom de verdade. aquele homem arrastando um violão pela calçada sob um sol de vontade. deixei pra lá, voltei-me ao vale imaginando uma cerveja em botequim que assaltasse a paisagem. um caipira como eu não toma ares cosmopolitas a qualquer que passe. aqui é outra cidade. e o que quer que eu fale parece pura, nua e crua saudade.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 4:23 PM
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ressaca... ressaca... ressaca...
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:46 PM
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Quinta-feira, Setembro 25, 2003
Cools, hypes e outras imbecilidades
Nunca gostei desse negócio de a banda da hora, o escritor da hora, de nada que seja da hora. Tava lendo um post do
Ivan, lá no site dele, que veio de encontro ao que ando pensando há muito. Ele diz de como coisas deixam de ser cool rapidamente.
Um dos exemplos que costumo citar é o Jorge Amado. De um super hype nos anos 1970, devido às felizes adaptações televisivas de seus romances, ele passou rapidamente, em dias atuais, a um escritor repetitivo, sem um roteiro conciso e por demais ligado ao mainstream.
Ora, eu que cresci em família pobre num tempo em que famílias pobres ainda tinham imenso apreço pelos livros, que passava minhas férias na fazenda, cercado de livros por todos os lados e que tive a sorte de muito cedo já ter lido coisas do calibre de um Amado, Monteiro Lobato, Leon Tolstói, Mark Twain, Charles Dickens e tantos outros, ainda ressaltando que os livros lá na casa da vó eram tidos como um deleite e um prazer, sem intenções intelectuais, não posso concordar.
Jorge Amado conheceu em vida todas as glórias que um bom romancista merece. Teve sucesso antes e depois dos seus textos adaptados para tevê e cinema. Imaginemos, se por acaso Jorge fosse um desconhecido em vida, sem sorte, fortuna, digamos assim. Um escritor que não tivesse suas obras editadas, ou fosse um avesso à celebridade pessoal, como o Dalton Trevisan. Sem a participação política que teve como deputado comunista constituinte de 1946. Enfim, por algum acaso do destino não tivesse conhecido a fama. Tenho por opinião que esses mesmos críticos que hoje desancam seu estilo e sua obra como um todo, o teriam como uma grande descoberta. Um injustiçado. Tenho certeza que estes mesmo críticos hoje o comparariam a um John Steinbeck, que tão bem retratou os bueiros da sociedade americana, ou mesmo a um John Fante, absolutamente esquecido em vida. Tenho certeza. Tudo se resume em ser ou não cool, hype, de tempos em tempos. Lamentável. Detestável, diria. No caso de Jorge Amado, quando me perguntam sobre ele, limito-me a responder: não é dos meus favoritos, mas é um grande escritor. Alguém duvida? Respondo: para ver se ele é um grande escritor, não é preciso ler uma obra, basta uma página. Sem essa, o velhinho era um mestre. E que estilo.
Enfim, o Ivan lembrou muito bem, me calhando à memória este pensamento, lembrando dos tempos em que era cool o Legião Urbana. Lembro muito bem disso. Tive a oportunidade de assisti-los com o Beijo AA Força na Fábrica, ali na praça do Expedicionário, em 1985, ainda bem desconhecidos. Era cool. Hoje os indies os taxam de chatos. Eu em verdade nunca fui muito fã do Legião porque todo mundo sabe o tipo de rock que eu gosto. Mas nunca, em momento algum, deixei de respeitar uma banda como essa, de atitude e popularidade tão imensas. Há coisas que me arrepiam até hoje, grandes sons. Louvável. Da mesma forma que não gosto de nada que soe parecido com Legião, porque daí incorre no erro que realmente considero imperdoável, que é a falta de originalidade. Porra, ter a voz parecida com o Renato Russo é uma coisa, mas precisa cantar que nem ele? Conheço um monte de gente que tem a voz parecida com o Jim Morrison, mas não canta que nem ele. Jim Morrison tinha a voz parecida com um monte de blueseiros americanos, mas sem dúvida não cantava como eles. Falar nisso, lembra quando Doors era cool? Hilário pensar nessas coisas. Tava conversando com um amigo, o Chico Cardoso, poeta das antigas, e lembrávamos que somos do tempo em que se interessar por reggae, ou ter uma banda de reggae, era uma atitude de vanguarda. Dá vontade de rir. Mas era mesmo. O exótico que atrai. Lembro também que música eletrônica era coisa de viado, sem piedade nem excessões. Era mesmo. Mas lembro também que teve uma certa época, meio que anos setenta, em que manter uma postura afetada era cool. Jagger, Bowie, e qualquer bandinha tipo Tutti Frutti posavam de viadinhos e muita gente achava lindo, cool. Novamente hilariante. Aí vem uns caras de Seatle depois de toda a deprê dos 1980, e o hype é ter atitude descomprometida, largada, sem viadagens. Que novidade! Não lembro o nome do jornalista que a De Inverno publicou um texto dele dia desses, e o cara desancou a Maria Rita (lembram da Marisa Monte? Que hype!) e teve a cara e a coragem de fazer o mesmo com os Strokes. Isso aí. Sempre pensei o mesmo. E lembrei do mais hype de tudo, que é eleger um anti-hype. O maior exemplo agora é danar com o Caetano Veloso. E era o mesmo tipo de gente que achava ele o máximo nos 1970. Só mudaram as pessoas e suas idades. Certo que o Caetano danou um bocado com si próprio. Mas, eu por exemplo, nunca neguei a obra e a influência dele. Ele é que se danou, mas tem gente que exagera, adora falar mal, apenas. Afinal, é cool hoje detestar o cara. Eu digo: faz um disco igual o Transa ou o Araçá Azul primeiro, depois vem me falar do cara ou de como fazer coisas underground. Na verdade não digo nada. O duro é que os caras seriam capazes de fazer discos iguais, mesmo. Não entenderam. Sejam originais, porra! Tentem ao menos!
Não é só a grande indústria que escolhe seus afortunados. A cultura underground já é maisntream o suficiente e comete os mesmos equívocos. Pior de tudo: a troco de nada. É uma merda mesmo.
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 6:12 PM
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Quarta-feira, Setembro 24, 2003
ok... agora já sei postar imagens e textos, me basta, depois peço pra alguém fazer um lay out legal... mas que vou me arrepender disso, ainda, ah, eu vou...
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:12 PM
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testando... deve ser foto do show em julho...
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 3:10 PM
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postado por: FLÁVIO JACOBSEN 12:42 PM
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Eu ainda vou me arrepender disso...
postado por: FLÁVIO JACOBSEN 12:24 PM
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